Capítulo 13 Corrupted
Estiquei uma toalha branca no chão do convés e, com meus óculos escuros de hastes coloridas, shortinho e a parte de cima do biquíni pretos, me deitei sobre ela.
Cinco minutos sendo aquecida pelo sol e algo tampou a luz de meu rosto. Abri os olhos e levantei os óculos.
- Arthur, vocês está tampando o sol – eu reclamei. Então percebi seu olhar, e meu rosto esquentou, mas não por causa do sol. – Para, Arthur! – eu pedi cheia de vergonha.
Ele sacudiu a cabeça como se desperta-se de algum devaneio. “Melhor passar protetor, querida.”
- Verdade – murmurei, pensando no assunto. – Pega pra mim? – pedi com carinha de criança.
Ele revirou os olhos e desceu as escadas. Quando voltou a tampar meu sol novamente estava com um tubo de protetor na mão.
- Quer ajuda? – ele se agachou ao meu lado com um sorriso malicioso.
- Ha-ha – tomei o tubo de sua mão.
Ele se afastou, enfezado.
Joguei protetor nas mãos e me lambuzei com ele – até chegar nas costas e ter um sério problema para alcançar todas as partes.
- Arthur! – chamei com a voz fina.
- Quê? – dessa vez eu não me importei por ele estar tampando o sol. A visão de seu peitoral – agora descoberto – era bem melhor.
- Me ajuda? – eu pedi, fazendo carinha de criança novamente.
Ele ergueu as sobrancelhas:
- E por que eu deveria? Você não acabou de me rejeitar?
- Por favor? – eu insisti.
Ele soltou o ar, se dando por derrotado e pegando o tubo da minha mão.
- O que eu não faço por você? – ele disse enquanto eu me virava de bruços para que ele pudesse passar o protetor em minhas costas.
Eu sorri, mesmo ele não vendo. A sensação de suas mãos passeando por minhas costas era deliciosa.
- Quer sorvete? – ele ofereceu quando terminou.
- Aham – eu confirmei feliz.
Ele foi buscar enquanto eu prendia meu cabelo em um rabo de cavalo, para que não grudasse nas costas. Sentou ao meu lado e me entregou uma colher, abrindo o pote em seguida. Eu não demorei a atacar o conteúdo azul, adorando a sensação do sorvete gelado descendo em minha garganta naquele calor. Arthur me deu um beijo na bochecha, me fazendo encolher ao choque de seus lábios gelados em minha bochecha quente. Mais uma colherada de sorvete goela abaixo, e aproveitei sua afobação em pegar mais sorvete para tascar-lhe uma lambida na bochecha.
- Há, é guerra? – ele perguntou passando as costas da mão pela bochecha lambida, me fazendo rir.
- É, e o que o senhor vai fazer? – coloquei as mãos na cintura.
- Isso – ele passou a colher com sorvete na ponta do meu nariz, e em seguida me deu um selinho.
Só que eu gostei de seus lábios gelados nos meus, então tratei de aprofundar o beijo rapidinho, esquecendo do sorvete derretendo sob o sol.
- Nós vamos mergulhar amanhã depois que o sol subir, tá? – ele disse parando de me beijar.
Eu peguei mais uma colherada do sorvete e coloquei na boca, concordando com a cabeça. Ele afastou a colher de mim, voltando a me beijar.
Estava escuro agora. Eu não conseguia diferenciar o mar do céu, de tão negros que os dois estavam. Só aparecia um fiapo da lua à minha frente, e ela não iluminava grande coisa. Estava frio, e meu casaco estava lá dentro. Depois de levar um belo susto com alguma coisa que deu rasante na água, eu venci a preguiça e descia as escadas do barco. Com toda a minha distração, levei um susto ao me deparar com Arthur saindo do banheiro. Meu coração quase rasgou meu peito e eu senti minha respiração falhar com aquela visão maravilhosa. Os cabelos molhados grudados e totalmente bagunçados e a boxer preta. Por que diabos ele tinha que ficar daquele jeito? Aquilo não era saudável pra mim.
- Vista-se – eu disse entre dentes. Ele pareceu surpreso com a minha suposta agressividade.
- Estou vestido – ele disse, olhando para a própria boxer.
Eu tentei me fazer sair dali, para demonstrar que havia ficado brava, mas meus pés se recusaram. Meu corpo inteiro recusava qualquer movimento contrário.
- Muito engraçado. Agora dá pra colocar uma roupa?
- Tenho uma proposta melhor – ele disse maroto, se aproximando perigosamente de mim. – Por que você não tira a sua? – ele sussurrou as últimas palavras em meu ouvido, enquanto passava uma das mãos pela minha cintura, por debaixo da minha blusa. Eu estremeci.
- Sabia que você é um idiota? – eu disparei, como se ele me houvesse ofendido. Por que ele tinha que me tentar tanto? Empurrei-o, tentando o afastar.
Ele franziu a testa e tirou a mão de minha cintura.
- Você é muito estranha.
- Você é um idiota – eu retruquei.
- Qual é o seu problema? Uma hora diz que me ama e outra hora parece que me odeia.
- Eu sempre te odeio.
Pra começar, por você estar me provocando desse jeito. Isso não era justo.
- Você é maluca – agora sua voz estava alterada.
- Você é um pervertido – eu percebi que havia começado a gritar.
- Que tal tomar um banho pra esfriar a cabeça? Se você quiser, eu mesmo te jogo no mar, aposto que a água esta bem gelada.
- Eu posso te processar por ameaça de morte agora, sabia?
- Cala boca, pirralha, você é muito chata.
- Você é metido.
- Enjoada.
- Só fico enjoada quando estou perto de você.
Por outro sentido, isso chegava a ser verdade.
- Pelo amor de Deus, se afoga e me deixa em paz!
- Estúpido!
Nós gritávamos tão forte um com o outro que quando dei por mim estávamos próximos. Próximos demais.
- Como você consegue se aguentar?
- Se eu consigo te aguentar, eu aguento qualquer coisa.
Certo, eu não estava falando as coisas mais com tanto sentido.
- Eu odeio você – ele disse com ferocidade.
Sua boca parecia chamativa demais para mim. Involuntariamente, eu cheguei mais próxima a ele.
- Eu te odeio mais ainda – eu retruquei no que gradualmente foi se tornando um sussurro.
Ficamos em silencio por um minuto, sentindo a respiração próxima um do outro. As mãos de Arthur foram vagarosamente entrando por baixo de minha roupa, e quando nossos lábios se encostaram, ele me empurrou com força para trás, enquanto me beijava ferozmente. Me senti pressionada contra a parede e soltei um gemido quando ele mordeu meu lábio. Eu podia sentir o volume em sua boxer aumentando, e eu não ligava mais para nada enquanto o empurrava para trás com as duas mãos espalmadas em seu peito. Foda-se se eu havia tido problemas. Foda-se se eu havia sido machucada. Isso não iria me afetar. Não mais.
Arthur me puxou com ele para o chão. O contato que as minhas costas fizeram com o chão frio não me incomodou, pois eu me sentia queimando viva. Ele estava tirando meu sutiã? Aonde havia ido para minha blusa? Eu nem havia notado que ele já a havia tirado. Eu arranhei suas costas enquanto ele ia descendo seus beijos, deixando que sua língua passear por minha pele. Eu queria que ele abusasse de mim tanto quanto eu estava abusando dele. Já que eu estava perdida mesmo, não ligava para mais nada. Seus beijos continuaram descendo, fazendo uma longa parada em meus seios, enquanto abria minha calça e a descia. Assim que se livrou dela, foi subindo os beijos novamente, me fazendo soltar o ar pesadamente antes de voltar a me beijar com vontade.
Só havia uma coisa que me incomodava. Eu não sabia como havíamos chegado a tal ponto, mas aquilo me incomodava profundamente. Era sua boxer. Eu me livrei dela e a joguei longe, odiando-a. Arthur parecia sentir o mesmo ódio por minha calcinha, pois me lançou um olhar determinado e carregado de desejo antes de arrancá-la.
Ele aproveitou a posição em que suas mãos estavam e puxou minhas pernas para cima, e eu as envolvi em sua cintura.
Eu senti a dor me invadir forte por um segundo, e então passar tão rápida quanto havia chegado.
- Desculpe – ele sussurrou.
Mas eu não ligava. Arranhei suas costas como um pedido, e ele pareceu entender. Dessa vez eu senti ele me penetrar com um pouco menos de força. A dor dessa vez foi menor e, na quinta vez, eu não a senti mais. Dei graças a Deus por estarmos em alto-mar, assim ninguém podia ouvir meus gemidos, tão altos quanto os dele. Ele aumentava cada vez mais a intensidade por debaixo da minha pele, me fazendo revirar a cabeça para trás às vezes. Parecia que ele iria me rasgar por dentro a cada vez, e não havia um centímetro de meu corpo que não queimasse em puro prazer, até que isso foi tão forte que não aguentamos mais. Arthur caiu ao meu lado, arfante, e eu precisei de um minuto para me recuperar o bastante pra me virar para ele.
- Me odeie pelo resto da vida, se for desse jeito – foi a primeira frase que ele disse quando nossos olhos se encontraram.
Eu ri. Ele passou a mão por meus cabelos e me puxou para mais perto dele. Eu deitei minha cabeça em seu peito, sentindo-o subir e descer ainda muito rápido.
- O que seria de mim sem você, pequena? – ele perguntou seguido de um suspiro.
Eu sorri e dei um beijinho em sua pele.
- Te amo, Aguiar – e adormeci.
Eu abri os olhos, e tudo continuava escuro. Não deviam ter passado nem quatro horas desde que adormeci, pois o cansaço ainda tinha um grande efeito sobre mim. Mas de repente eu estava ansiosa e alerta, o que cortava todas as minhas chances de adormecer tão cedo novamente. Me virei e percebi que não estava mais no chão, mas na cama, com Arthur esparramado ao meu lado, dormindo como um cavalo sedado. Mas um cavalo bonitinho. Eu sorri ao perceber meus pensamentos idiotas, e me levantei vagarosamente da cama. Com as chances de achar minhas roupas naquela escuridão, fui direto para um banheiro. Decididamente eu precisava do banho. Não ficava suada assim desde que aquele monstro lésbico que haviam colocado para ser nossa antiga professora de educação física havia me mandado correr voltas e mais voltas seguidas pela quadra.
Mas tudo em que o banho me ajudou – além de ficar linda e cheirosa novamente – foi a ficar mais desperta. Pelo menos minha mochila eu consegui achar em meio à escuridão. Na verdade, acho que foi ela meio que me achou, já que eu acabei tropeçando nela pelo caminho. Na cozinha, acendi a luz e me vesti, depois sai à procura do meu laptop dentro de minha mochila. Mas ele decididamente não estava ali. Isso me deu um desespero danado. Agora, com a luz da mini-cozinha acesa iluminando o quarto, foi fácil achar a mochila de Arthur. Coloquei-a em cima da bancada da cozinha, achando cuecas limpas, uma calça, algumas blusas e... não, não. Decididamente não. É claro que aquilo era de brinquedo. Quero dizer, por que motivo Arthur teria uma arma de verdade na mochila? Certo, uns caras mataram o pai dele e havia algumas possibilidades de estarem atrás dele... Mas ele não tinha certeza de nada, não é mesmo?
Toquei a arma. Fria e pesada, como uma de verdade.
Eu peguei aquilo e fui para o quarto, acendendo a luz na cara dele e chacoalhando seus pés violentamente.
- O que foi? – ele perguntou, grogue de sono.
- Por que você tem uma arma? – gritei sacudindo a dita cuja em minha mão.
Seus olhos se arregalaram.
- Larga isso, Lu.
- Responde à minha pergunta! Por que você tem uma arma?
Bom, avaliando minha situação, isso era uma coisa que eu tinha o direito de saber. Eu estava no meio do mar com um cara e ninguém além de um ser que havia nos alugado o barco sabia onde estávamos agora. E o cara com quem eu estava tinha uma arma.
- Pra me proteger – ele disse, se sentando na cama. – Agora larga isso.
E por que eu deveria acreditar naquele cara com quem eu estava totalmente sozinha no meio do mar e que portava uma arma sem meu conhecimento? Ah, é, porque eu amava aquele cara. E confiaria minha vida a ele.
Só então me dei conta de que a arma ainda estava em minhas mãos.
- Lu, me dá isso – ele pediu cuidadosamente.
- Não me trate como se eu estivesse pronta para atirar em você – eu reclamei, dando a arma em suas mãos.
Ele demonstrou grande alivio com esse meu ato, seguido de culpa.
- Desculpa, amor, só não quero te ver mexendo nisso, ok? – e então ele quem ficou bravo. – Você estava mexendo na minha mochila?
- Ahn... – meu rosto esquentou. – Eu estava procurando meu laptop.
Ele se levantou e foi até a cozinha, vestindo a boxer pelo caminho e deu uma olhada na própria mochila.
- Decididamente não está aqui – ele disse, guardando a arma novamente na mochila. – Será que não deixou lá em cima?
- Não, não mexo nele desde antes de sairmos do hotel.
- Então deve ter ficado lá – ele deu de ombros.
- Você só pode estar brincando – eu disse, desesperada. – O que eu vou fazer agora? Minha mãe vai me matar...
- Calma, pequena – ele me tranquilizou, me abraçando. – Eles com certeza devem ter guardado para você. Eu vou ligar para eles e amanhã nós passamos lá e pegamos ele, ok?
- Uhum – eu murmurei encostando minha cabeça em seu peito nu e sentindo o sono tomar conta de mim novamente.
- Vem, vamos deitar antes que você durma em pé – ele disse, me arrastando para a cama e apagando as luzes pelo caminho.
- Que horas são? – eu perguntei enquanto ele me cobria com o edredom.
- Quase meia-noite – ele informou. – Vou fazer chocolate quente, você quer?
- Quero – eu disse, mas antes que ele voltasse, eu já havia adormecido profundamente novamente.
E dessa vez fui eu quem acordou sacudida e assustada. A luz da cozinha iluminava de modo aconchegante o quarto, mas eu estava totalmente assustada, porque Arthur não parava de gritar.
- Temos que sair daqui! – ele gritava desesperado. – Lu, acorda! Temos que sair agora!
- Você ficou maluco, garoto? – eu perguntei, incrédula.
Percebendo que eu havia acordado, ele me puxou pelo braço, me fazendo tropeçar pelo caminho.
- O que está acontecendo? – eu perguntei, totalmente confusa.
- Confia em mim, precisamos sair daqui! – ele gritou, me arrastando da cozinha escada acima. O pior é que ele estava falando sério.
Eu desejei mais que tudo que aquilo fosse uma piada de mau gosto ou um pesadelo, ainda mais quando ele parou em frente às grades do barco e olhou para o mar ali em baixo.
- Espera aqui! – ele saiu correndo e voltou como um raio com dois coletes salva-vidas nas mãos, me fazendo desajeitadamente vestir um deles.
- Por quê? – eu perguntei, confusa. – O que você acha que... – e então eu percebi o porquê dos coletes. – Não, nem pensar, eu não vou...
- Confie em mim! – ele gritou e me pegou no colo.
E então, eu estava caindo. Achei que a coisa estava bastante ruim quando estava caindo, e percebi que estava totalmente enganada sobre isso quando a água bateu com força em minhas costas e tomou conta do meu ser. Água gelada, mais gelada do que aquela que eu pegava na geladeira, mais gelada do que o sorvete de céu azul recém-saído do congelador.
O corpo de Arthur caiu ao lado do meu, espirrando ainda mais água em mim.
- Arthur, se-seu... – eu comecei, batendo os dentes.
- Vem, precisamos nadar para longe! – e começou a nadar para longe do barco.
- VOCÊ FICOU MALUCO? – eu gritei, incrédula. – AGUIAR, EU QUE-QUERO VOLTAR PRO BARCO IMEDI-DIATAMENTE!
- CALA BOCA E NADA – ele gritou de volta.
Eu me assustei com a ferocidade com a qual ele havia gritado de volta. E claro, eu nadei atrás dele. Nadamos durante uns cinco minutos, até que um grande clarão iluminou tudo, até o céu.
- SE ABAIXA! – ele gritou.
Eu só tive tempo de puxar um pouco de ar antes de afundar na água, sentindo cada músculo em meu corpo sendo congelado.
E então o clarão passou por cima de nós. Trinta segundos depois, sem resistir à falta de ar e fôlego que o nado havia me proporcionado, me levantei à superfície, seguida por Arthur.
- Você está bem? – ele perguntou, preocupado.
Eu me virei e olhei para a direção de onde o clarão havia vindo, e que continuava a iluminar a noite. Não muito longe dali, estava o barco. Ou o que havia restado dele, que agora estava pegando fogo. Eu entrei em choque.
- Eu consegui avisar a guarda costeira, estão vindo nos pegar – ele disse e segurou uma de minha mãos embaixo da água.
Eu não conseguia emitir som algum. Só conseguia observar os restos do “Saint Louis” pegando fogo. Não consegui ter ideia de quanto tempo se passou até que o resgate chegasse, só sei que Arthur ficava tentando inutilmente falar comigo enquanto isso, mas eu estava chocada demais para responder qualquer coisa. E quando finalmente enxerguei algum pedaço de terra firme, com o barco em chamas sendo deixado para trás e o ronco do motor do barco da guarda costeira me enlouquecendo, eu apaguei.
Eu pisquei algumas vezes antes de conseguir focar minha visão direito. O quarto estava iluminado por uma meia luz e um bipe contínuo me incomodou. Procurei a origem do barulho, e só quando vi a linha verde de meus batimentos cardíacos subindo e descendo me dei conta de que estava em um quarto de hospital. Acompanhando a tinta verde, quase azul, das paredes, e as janelas com cortinas brancas que davam para o corredor, vi Arthur sentado em um sofá próximo a minha cama, com a cabeça abaixada e apoiada nos braços, me impedindo de ver seu rosto.
- Você está bem? – eu perguntei, preocupada.
Ele levantou a cabeça, seus olhos levemente inchados e vermelhos.
- Depende. Você está bem? – ele me perguntou, sério.
Eu mexi minhas pernas por debaixo do lençol, depois meus braços e pescoço.
- Acho que sim – respondi.
- Então eu também estou – ele disse com um sorriso triste.
- Mas por que estou aqui?
- Você desmaiou.
- Por quanto tempo?
- Umas cinco horas pelo menos – ele respondeu.
- É, acho que eu estava precisando dormir direito.
Ele riu. “Vou avisar ao médico que você acordou.” Deu um beijo em minha testa e depois foi para a porta. “Já volto, pequena.”
Eu sorri em resposta e ele saiu.
O médico testou meus sentidos e, mesmo confirmando que tudo estava bem, tive de ficar mais duas horas no hospital em observação. Arthur aproveitou esse tempo para ir às docas resolver com o dono do barco a situação e pegar meu laptop no hotel.
Eu havia ficado brava comigo mesma por ter esquecido o laptop no hotel antes, mas agora eu estava feliz pela minha burrice. Apesar do barco em que estive há poucas horas ter explodido, me achei com sorte.
- E o que o cara do barco disse? – eu perguntei enquanto almoçávamos lagostim.
- Que o seguro iria cobrir tudo.
- E a polícia?
- Eles não sabem ainda a causa do incêndio.
- Mas você sabe – eu disse séria.
Ele soltou um suspiro, mexendo com o garfo na comida, parecendo desconfortável. “Sei.”
Esperei pelo resto da resposta, mas não aconteceu.
- Então, o que foi?
- Foram os caras que mataram meu pai, tenho certeza.
- Mas... mas como? – eu perguntei confusa.
- Perguntei para alguns dos donos dos outros barcos. Um deles viu dois homens entrando no barco ontem, enquanto fomos ao mercado. Não foi acidental.
- Eles... eles estão tentando nos matar? – perguntei incrédula.
- Me matar – ele corrigiu. – Você, se estiver por perto – ele soltou um suspiro cansado.
Durante toda a viagem de volta eu fiquei pensando sobre isso. Arthur dormia desconfortável ao meu lado durante o vôo. Como alguém poderia estar atrás dele? Ele parecia tão inofensivo para mim. Ele era tudo o que importava para mim. Se alguém sequer o ferisse eu não sei o que faria. Ele disse que me matariam se eu estivesse por perto... Mas como eu conseguiria ficar longe dele? Eu estremeci só de pensar nessa possibilidade. A de ficar longe dele. Não, não importa o que poderia vir a acontecer, eu estaria sempre ao seu lado.
Isso era pelo menos o que eu queria.
- Lu? – ele me chamou enquanto eu arrumava minha roupa de cama limpa.
- O quê? – eu perguntei, ainda dando atenção aos lençóis.
- Nós... nós não podemos mais ficar juntos – ele disse pesarosamente.
Eu demorei um segundo para entender o que ele estava falando. Minha respiração falhou.
- Hã? – eu perguntei meio zonza, me virando para ele.
- Nós não podemos mais nos ver – ele disse, encarando o chão.
- E por quê? – eu perguntei, cruzando os braços.
- Porque é melhor assim.
- Melhor pra quem?
- Pra você – ele levantou a cabeça.
- Eu sei o que é melhor pra mim – eu disse indo até ele, sentado na beira da cama de Sophia. – E você não vai se livrar de mim assim tão fácil.
Eu coloquei uma perna de cada lado das suas, me sentando em seu colo e passando a mão em volta de seu pescoço. Agora eu podia claramente ver a dor em seus olhos.
- Lu, eu não posso suportar nem a possibilidade de algo acontecer a você – ele disse, me abraçando forte pela cintura. – Você só vai estar segura se não tiver nada a ver comigo. Eu achava que talvez eles não estivessem realmente atrás de mim, mas agora eu tenho certeza de que eles estão. Você precisa ficar longe de mim.
- Arthur – eu disse passando um dedo por seus lábios. – Não adianta, tudo em mim tem a ver com você. Eu vou estar com você independentemente do que aconteça. Eu te amo.
Pressionei meus lábios contra os seus. Por um instante, ele resistiu, mas não durou muito. Deixei que nossas línguas brincassem durante algum tempo, apenas sentindo seu gosto e seu calor. Mas então o calor foi aumentando, assim como nossas atentadas mãos exploravam mais e mais o corpo um do outro, arrancando as roupas encontradas pelo caminho.
- Bom dia! – Sophia, sorridente, me cumprimentou. Eu franzi a testa devido à claridade.
- Bom dia – eu respondi com a voz um pouco rouca, observando-a transferir as roupas da mochila de volta para o guarda-roupa.
Ela me olhou sugestiva.
- Quê? – eu perguntei sem entender.
- O Arthur acabou de sair daqui – ela disse erguendo as sobrancelhas. – Não tem algo que você queira me contar?
Eu senti minhas bochechas esquentarem.
- Ah, ele dormiu aqui – eu disse, desviando meu olhar do dela.
- Só dormiu? – ela não iria desistir até arrancar isso de mim.
- Talvez – eu disse com um sorriso maroto.
- Eu sabia! – ela exclamou, sorrindo vitoriosa.
- Como? – perguntei tirando o edredom de cima de mim.
- Pelo sorriso com o qual ele saiu desse quarto – ela comentou. – Apesar da cara amassada de sono.
- Pedimos comida ontem e ficamos conversando até tarde ontem – eu contei, e então vi sua expressão. – É, além disso.
- Se troca logo, o sinal vai bater daqui a pouco – ela alertou.
Eu peguei meu uniforme no guarda-roupa e fui para o banheiro me trocar.
- Lu, como o Chay foi na audição? – ela perguntou casualmente.
Puta merda, o Chay. Eu havia esquecido completamente dele!
Notando minha falta de resposta ela enfiou a cabeça dentro do banheiro.
- Você não falou com ele? – ela franziu a testa, brava.
- Ahn... – eu enrolei.
- Ai, meu Deus, ele deve estar puto – ela balançou a cabeça em desaprovação e saindo do banheiro. – Nós já não fomos com ele...
- Mas e a Ane? – eu perguntei meio desesperada. - Ela não foi?
- Não faço ideia.
Bom, no intervalo, a caminho da lanchonete para tomar café-da-manhã, obtive minha resposta. E só para constar, não era das melhores, já que Chay me viu no corredor e, ao invés de me receber calorosamente como sempre, fechou a cara e passou reto.
Sorte dele que eu estava de muito bom humor hoje.

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Tem que postar maaaais por favor,não seja má u.ú
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