13 abril 2012

11º Capítulo Barriga De Aluguel

11º Capítulo Barriga De Aluguel
'O parto'
Arthur desceu as escadas procurando pelas chaves do sótão, em algum lugar teria que ter alguma cópia. Nada. Pegou a caixa de ferramentas e subiu novamente.  
- Calma, Lu. Respira, eu vou te tirar daí. – ele dizia enquanto tentava pegar alguma ferramenta com as mãos trêmulas.  
- Rápido...Rápido Thu! – ele a escutava gritar e respirar ofegante. Pegou o martelo e quebrou a fechadura. Chutou a porta que se abriu em um estrondo.  

Lua estava encostada na cama com as mãos pressionando a barriga. Ele correu até ela com lágrimas nos olhos. Não conseguia acreditar... Ela estava ali aquele tempo todo.  
- Calma, eu vou te tirar daqui Lua.  
- N-não! Não dá mais tempo. – ela disse entre os soluços.  
- Vai sim. – a pegou nos braços e desceu com ela até o segundo andar.  
- NÃO THU, NÃO VAI DAR! – Arthur correu com ela até seu quarto e a colocou sobre a cama. Lua fazia esforço para respirar, lembrando-se de tudo que lera em alguns livros antes de tudo aquilo acontecer.  
- Lua, eu vou ligar para uma ambulância... Não sai daqui!  
- Eu pareço estar em estado de sair andando por aí?! – ela berrou. Ele sorriu e beijou o topo de sua cabeça. Pegou o telefone e discou o numero da ambulância. Os paramédicos iriam até lá o mais rápido possível.  
  
- THU! NÃO DÁ MAIS TEMPO!

Os gritos de Lua ecoavam pela casa. Arthur andava de um lado para o outro pensando no que fazer, Céus! Como faria um parto? Tudo o que sabia sobre isso era o que havia visto em alguns programas de partos no Discovery Home and Health com Carla.  
- Ok. Vou pegar alguns lençóis limpos e você... Você... Continua respirando! – Lua revirou os olhos e o viu correr até a área de serviço. Ela respirava rápido enquanto sentia o suor escorrer pela testa. Arthur subiu com os lençóis e os colocou sobre as pernas de Lua que já estavam na posição certa.  
- Eu não vou conseguir, Lua.  
- Vai sim. Eu confio em você. – Ele pegou o telefone mais uma vez e ligou para o hospital. Explicou o que estava acontecendo desesperado.  
  
-Acalme-se, senhor. Vou passar para uma enfermeira que lhe dará todas as instruções até que a equipe médica chegue até sua casa.  
Arthur esperou que a ligação fosse passada a outra pessoa. Uma voz feminina finalmente o atendeu do outro lado da linha.  
-Olá senhor, vou dar-lhe as instruções. Tente me acompanhar. Onde está sua esposa?– ele ignorou qualquer formalidade, sem importar-se com o que a enfermeira dissera.  
- Está deitada na cama.  
-OK. O senhor precisa colocar os dedos para ver se a cabeça do bebê já desceu.– Arthur ficou parado por um momento. Olhou mais uma vez para Lua sofrendo, não haveria outro jeito.  
- Lua, você vai me odiar mas eu preciso fazer isso. – ela arregalou os olhos enquanto o sentia retirar sua calcinha e gritou.  
- E-eu acho que já! – ele gaguejou ao telefone tentando ser forte o bastante para não desmaiar ali mesmo.  
Você precisa pedir para que ela faça força para baixo.– ele repetiu as palavras a Lua. –Diga para que ela apoie o queixo no peito para facilitar. Fique de olho enquanto o bebê desce. Enquanto ela faz força, preciso que pegue qualquer coisa parecida com um sugador.

Arthur lembrou-se das coisas que Carla havia comprado para o bebê, entre eles um sugador para puxar a sujeira do nariz, aquilo deveria servir. Correu até o quarto do bebê e o pegou.  
  
-Agora– a enfermeira continuou –fique de olho enquanto o bebê desce. Quando a cabeça estiver para fora, peça para que ela pare de fazer força e sugue a boca do bebê para que ele não se engasgue com o líquido. E então peça para que ela faça um esforço menor para que o corpo saia e a ajude.  
Arthur fazia tudo o que a enfermeira pedia e repassava para Lua. O celular foi parar no chão ao ver a cabeça no bebê saindo. Os pequenos fios de cabelo já apareciam.  
- Está vindo, Lu. Continue fazendo força! – ele dizia apoiado na cama, pronto para receber o bebê.  
  
- AH! EU NÃO CONSIGO! – Ela choramingava.  
  
- Consegue sim, meu anjo, continue, falta pouco agora! – ela continuou até que a cabeça finalmente havia saído. Arthur fez o que a enfermeira pedira, sugando a boquinha do bebê, até que saíra por completo. Arthur puxou o lençol e o envolveu ali enquanto o ouvia chorar. Lua respirou aliviada e deitou a cabeça no colchão sorrindo entre as lágrimas. Arthur pegou o celular novamente.  
- O cordão... – ele disse tentando manter a voz firme. Mas não foi preciso quando a equipe médica chegou até o quarto. Enquanto um dos paramédicos se encarregava de cortar o cordão umbilical, Arthur foi até Lua.  
- Você conseguiu, viu? É uma menina, uma menina linda! – Lua apenas chorava.  
  
- Eu quero vê-la. – ela sussurrou, cansada.

Continua..

Um comentário:

Vai comentar? Fique atento, ofensas nesse blog serão ignorados.