06 março 2013

"Dangerous"

Capítulo 5 - S.O.S.
Depois daquilo, Sophia ficou a sexta-feira inteira de cara virada pra mim. Assim que Lauren saiu da última aula, nós fomos para a casa dela e passamos o sábado todo procurando um laptop pra mim, e domingo foi um tédio: filme, comida e lição de casa. Mas tudo era um tédio por um único motivo: Arthur Aguiar não saía da minha mente. Isso estava me irritando, eu simplesmente não parava de pensar nele. Por que isso agora?

Nas duas aulas de matemática, Melanie resolveu sentar ao meu lado, expulsando a garota que estava ali antes. Eu tentava explicar as coisas pra ela, mas na maioria das vezes ela acabava por copiar minhas respostas.

- Aonde você vai? – Melanie me perguntou, quando eu estava indo em direção a mesa onde Sophia e os outros estavam no refeitório.

- Ahn, sentar com o Chay, a Ane, o Maker...

- Aff – ela me cortou. – Você senta com a gente hoje, ok?

Eu fiquei totalmente sem graça quando passei e acenei para eles, e em seguida sentei na mesma mesa que ela com a bandeja do almoço. Acho que agora a Sophia nunca mais olha na minha cara.

Eu olhei para o meu lado e ali estava Brooklie e uma outra garota loirinha. Olhei à minha frente e lá estava um garoto moreno forte, ao seu lado, Micael e... Arthur. Meu estômago deu um solavanco quando meu olhar encontrou com o dele. Acho que eu vou ver meu café-da-manhã de novo.

- Five Colours, essa é Claire - ela começou a apresentar -, Diego, Micael e Arthur.

Eles sorriram e eu acenei. Arthur me fuzilava com o olhar, apesar de sorrir.

- Já está tudo arranjado – comentou Brooklie animada. – Conseguimos um professor para substituir aquela mulher-macho.

- Graças a Deus – eu disse baixinho.

- Garotos, vocês tinham que ver essa garota atuando, ela é perfeita – continuou Brooklie animada.

- O que vocês andaram aprontando dessa vez? – perguntou Arthur, olhando para Brooklie.

- A professora de educação física estava tentando nos matar, aí nós cuidamos para que ela fosse expulsa.

- A Five Colours fingiu que a professora tinha agredido ela – contou Melanie.

- É, mas o melhor foi o improviso – continuou Brooklie. – Vocês têm que ver os roxos que ela arranjou nos pulsos, foi demais.

Será que alguém pode calar a boca dessas duas?

- E como você arranjou esses roxos? – perguntou Arthur. Eu juro que a qualquer momento iria sair laser dos olhos dele. Medo.

- Ela disse que tava fazendo um truque de mágica ou qualquer coisa assim – disse Melanie -, e as mãos dela ficaram presas numa caixa.

- Foi horrível – eu comentei olhando pra ela. – Nunca mais tento fazer mágica de novo na vida.

Arthur relaxou um pouco e parou de tentar me matar com o olhar.

- Mas sabe, já está até sarando – eu disse olhando para o meu próprio braço. – Não dói mais, e a pomada que eu tô passando tá tirando o roxo.

Eu sorri silenciosamente para o meu prato enquanto elas começavam outro assunto e ergui meus olhos para Arthur, vendo que ele sorria silenciosamente também.

- Eu nunca vou entender essas garotas – comentou Micael baixinho para Arthur. – Só porque elas são loucas, tentam nos enlouquecer junto.

Arthur riu.

- Talvez não loucas – eu disse olhando para Micael. – Só confusas – olhei para Arthur, que riu de novo.

Olhei em direção à mesa onde meus amigos estavam. Se Arthur não estivesse aqui, eu iria para lá agora mesmo.



Eu paguei meu fichário e meu livro de geografia e caminhei para a biblioteca, pra fazer um pequeno trabalho que o professor havia passado. Pequeno porque não era ele que iria ter que fazer. Alguém me puxou para dentro de uma sala vazia.

- Arthur! – eu dei um tapa no braço dele. Garoto estúpido, quase morri do coração. Meus olhos encontraram os seus e então eu percebi que o susto não foi nada comparado ao que os olhos dele faziam ao meu coraçãozinho.

- Posso saber o que a senhorita está fazendo junto com a Brooklie e a Mel? – ele perguntou me encarando.

- Eu entrei pro grupo de líderes de torcida, e elas fazem parte – eu disse. – Aliás, Melanie é a chefe das líderes. Nós nos demos bem, eu acho.

- E isso justifica você ser responsável pela expulsão de uma professora? – ele perguntou, ligeiramente bravo.

- Acho que ela prefere ser chamada de professor, viu – eu comentei, tentando escapar da pergunta. Ele segurou o riso.

- Eu estudo com elas faz tempo – ele disse sério. – Quero que você tome cuidado com elas. Elas ferram até uma a outra se deixar, além de ter nos arrastado junto no terceiro ano.

- Terceiro ano? – eu perguntei confusa. – Mas vocês estão no terceiro ano agora.

- Repetimos – ele disse rolando os olhos. – Aliás, elas repetiram e, como não conseguiram fazer nada para passar, fizeram que eu e o Micael bombássemos também.

- Uou – eu disse baixinho.

- E os pulsos, melhoraram? – ele desviou o assunto e pegou cuidadosamente meus braços, tirando a munhequeira deles.

Agora o roxo estava bem mais claro em alguns pontos, e em outros já começava a amarelar.

Ele soltou meu braço e foi se sentar em cima da mesa do professor. Ficamos em silêncio por alguns minutos, até eu me aproximar dele devagar. Apoiei minhas mãos nas pernas abertas dele e sustentei seu olhar antes de encostar nossos lábios. Ele colocou a mão em minha nuca me fazendo arrepiar e pressionou nossos lábios. Ficamos assim durante alguns segundos, antes dele afastar nossos rostos. Ele pulou da mesa, e antes de abrir a porta, abriu a boca para falar alguma coisa, mas a fechou de novo e saiu dali me deixando totalmente confusa. Qual é o problema desse garoto?

Eu fui para a biblioteca começar meu trabalho de geografia, mas estava sendo difícil. A cada dois parágrafos que eu lia, eu tinha que reler um, porque no último eu estava distraída pensando em Arthur.

Na aula de inglês, eu sentei na carteira ao lado de Sophia. Ela virou a cara, ainda brava comigo. Eu passei a aula inteira tentando puxar conversa, até finalmente conseguir fazer com que ela falasse comigo direito.

Aula de história. Eu sentei na última carteira no canto da sala, abaixei a cabeça e fiquei assim até que eu ouvi Arthur falar comigo.

- Ahn, me desculpa, eu... – ele começou, mas eu o cortei.

- Vê se não me enche o saco, Arthur – eu disse exasperada pra ele, e abaixei a cabeça de novo.

Eu não iria deixar ele me dar um fora assim, ou dizer “somos apenas amigos”, ou seja lá o que ele fosse dizer, eu não queria escutar.

- Você tá bem? – ele perguntou.

- Não preciso de ninguém se preocupando comigo – eu murmurei.

- O professor vai te chamar a atenção se você continuar assim – ele avisou.

- Problema é meu.

- Só estou tentando te ajudar.

- Você me ajudaria se sumisse da minha vida.

- Não tem mais carteiras vazias, vai ter que me suportar.

- Não dá, você é insuportável.

- Senhorita ), quer fazer o favor de acordar? – o professor me chamou, e eu levantei a cabeça, sentindo meu rosto queimar ao perceber todos me olhando.

- Eu avisei – disse Arthur.

- Blá, blá, blá... – eu fiz uma voz afetada.

- Você é tão estúpida.

- Você é tão idiota.

- Formamos um belo casal, então – ele disse e eu o olhei sem entender, rindo em seguida.

- De onde eu vim, se um cara fugisse de uma garota quando fosse beijado, seria gay, sabia? – eu comentei irônica.

- Aqui também seria – ele disse rindo.

- Ai, meu Deus! Você é gay! – eu gritei e todo mundo me olhou de novo, eu abaixei minha cabeça morrendo de vergonha.

- Eu juro que te mato, garota! – ele sussurrou pra mim.

Depois de alguns minutos eu levantei a cabeça, ainda impressionada.

- Por que não me contou antes que era gay? – eu perguntei para ele.

- Porque eu não sou – ele murmurou bravo, me fuzilando novamente com os olhos.

- Não? – eu perguntei ainda em dúvida. Bem que ele era perfeito demais para ser de verdade.

- Não – ele afirmou.

- Certeza?

Ele bufou e começou a copiar a matéria, me deixando totalmente no vácuo. Odeio esse garoto.

O sinal bateu, enquanto todos saíram da sala nós dois simplesmente tivemos que ficar ali pra terminar de copiar a matéria.

- É culpa sua que eu estou perdendo meu tempo aqui – eu disse observando o professor sair da sala.

- Eu não segurei suas mãos para você não escrever – ele disse ainda sem me olhar.

- Aguiar, vai embora.

- Não posso, tô copiando a matéria.

Eu bufei e fechei meu caderno.

- Depois eu arranjo a matéria com alguém – eu disse irritada. – Melhor do que ter que ficar aqui.

Ele fechou o caderno e saiu na minha frente, fechando a porta antes que eu pudesse passar.

- Qual é o seu problema garota? – ele perguntou me encarando encostado na porta.

- Você – eu disse sustentando o olhar.

Eu não sei como aconteceu, mas no segundo seguinte era eu quem estava encostada – leia-se: pressionada – contra aquela porta. Arthur me beijava intensamente com as mãos em minha cintura e eu tentava eliminar qualquer espaço possível entre nós o puxando pela camisa e apertando sua nuca. Era como se uma corrente elétrica passasse por minhas veias ao invés de sangue. Ele mordeu meu lábio inferior me fazendo soltar um gemido baixo e puxar seus cabelos. Ele desceu os beijos pelo meu pescoço, me fazendo ficar ofegante, enquanto tentava me concentrar em abrir os botões da camisa dele. Ele percebeu minhas intenções e começou a fazer o mesmo com minha blusa. Foi então que eu comecei a lembrar de quando fui agarrada, de quando aquele garoto me tocava... Aquilo me fez respirar acelerado, me deixando tonta. Eu o empurrei e saí daquela classe correndo para meu dormitório.

Eu não saí do meu quarto até que o sinal batesse às sete e meia da manhã me mandando ir para a classe. Eu dei graças a Deus de não ter aula com Arthur durante a terça-feira, crente que não teria que vê-lo. Eu já estava até sentada almoçando na mesa conversando animada com Ane, quando Mel me cutucou nas costas.

- Vem sentar com a gente quando terminar aí, ok? – ela disse e foi para a mesa dela. Alguém lá em cima deveria estar rindo muito da minha cara, não é possível.

Eu terminei de almoçar e fui para a mesa onde Mel e os outros ainda estavam almoçando.

- E aí, Five Colours – cumprimentou Brooklie. Eu me lembrei do que Arthur tinha dito sobre ela. E falando nele, lá estava o motivo de eu não ter dormido direito durante todos estes dias, o motivo das minhas distrações.

- Senta aí – disse Mel me dando espaço ao seu lado.

Eu sentei, sentindo meu coração acelerar ao ver aqueles olhos Castanhos bem na minha frente, me olhando.

- Nós já acertamos os horários pra usar a quadra – informou Brooklie. – Os treinos começam hoje, querida, às cinco horas. A propósito, você combinou muito bem com o uniforme.

Eu ainda estava com o uniforme que elas me entregaram na aula de educação física. Era um short preto curto e uma blusa babylook branca com traços pretos que deixava uma faixa da barriga aparecendo.

Eu olhei para Arthur, que assentiu disfarçadamente com a cabeça, me fazendo sorrir envergonhada.

- Mas esse é o uniforme de educação física, sabe, do horário normal – explicou Mel. – Nós podemos ficar com ele pela escola em vez do outro uniforme. Usamos um uniforme parecido nos treinos.

- E é claro que temos um modelo especial para os jogos – disse Brooklie, com um sorriso convencido.

- Então tá, né – eu disse baixinho.

- Garotas, vocês viram o que aquela garota estranha do segundo ano fez com o cabelo? – perguntou Brooklie. E com isso começou a sessão fofoca. Realmente, elas tinham uma língua afiada para falar mal dos outros, mas até que era engraçado.

Alguém passou a mão por meus cabelos e bagunçou-os. Eu olhei para trás e Chay piscou pra mim enquanto caminhava. Eu ri, arrumando meu cabelo.

- Galerê, tenho que ir – eu disse e saí correndo atrás de Chay e os outros.

Eu pulei nas costas de Chay, e ele segurou minhas pernas e me levou de cavalinho até a porta do nosso prédio.

- Maker, seu preguiçoso – reclamou Ane. – Até daqui a pouco.

Ele tinha se recusado a levar Ane de cavalinho, disse que ela era muito pesada. Pesada eu não sei onde, mas tudo bem, acho que se pedíssemos pra ele levar um gato, ele iria reclamar que era pesado também.

Eu aproveitei nosso tempo livre para entrar na internet um pouco, já que agora eu tinha meu laptop.

Lu: SOS, amigas! Tô ficando louquinha nesse lugar!Mari: Achei que tivesse morrido já! Você não deu noticias!Liz: Amiiiiiiiiiga, que saudadeee!!! Conta tudo!Lu: É sério, eu tô pirando aqui! Me ajudeeem!!!Mari: O que aconteceu?Liz: Conheceu muitos gatinhos?Lu: Um garoto. Ele tá me atormentando!Liz: Ele é bonito?Mari: Te atormentando?Lu: Bonito? ELE É PERFEITO!Liz: Então qual o problema? Já deu uns pegas nele?Lu: Eu não sei... Eu chego perto dele e... Parece que vou ter um ataque do coração, meu estômago embrulha, eu começo a tremer... Ele quase me mata, galerê, é sério!Mari: ELA TÁÁ APAIXONADA!!!!!Liz: Awn!Lu: Não tô, não! Eu só me pego pensando nele às vezes... Mas ele é bipolar, é sério!Mari: Às vezes? Certeza, amiga?Liz: Bipolar? Boiei.

- Não consigo entender nada! – reclamou Sophia, me fazendo pular na cadeira. – É português?

- Sua curiosa! – eu reclamei fechando o laptop na mesma hora. – É, tava falando com minhas duas melhores amigas, lá do Brasil.

E de quem eu morro de saudades. Sophia deu de ombros e se largou na cama.

Nós voltamos para escola e eu aproveitei os minutos restantes para copiar algumas coisas do trabalho dela de geografia, já que eu havia sido mentalmente impedida de conseguir fazê-lo inteiro. Pelo menos agora eu estava conseguindo entender melhor os professores. Quando estava mexendo na minha mochila pra pegar o material de química, um bilhete caiu do meu caderno.

“Filosofia, depois do seu treino”- O que é isso? – perguntou Sophia tentando pegar o bilhete da minha mão.

- Nada – eu respondi amassando e jogando o bilhete de volta na mochila.

A dupla de química terminou, e eu voltei correndo para o dormitório para tomar um banho rápido, mas não resisti a ligar o computador um pouco.

Mari: O que aconteceu, você saiu sem avisar! Mal educada!Liz: Vai, amiga, fala mais sobre o gatinho!Lu: Calma aí! Eu tenho treino agora, tenho cinco minutos!Mari: Treino de quê?Liz: Então conta logo!Lu: Líder de torcida. Alguém me deixou um bilhete hoje escrito “Filosofia, depois do seu treino” Eu não saquei muito bem...Mari: Aula particular com alguém?Liz: Líder de torcida??! Que massa!Lu: Não, não tenho aula com ninguém. É, parece ser legal, Liz!Mari: Vocês aí não têm aula divida por salas e talz?Lu: Aham.Mari: Então é “sala de filosofia”, não é?Lu: Não tinha pensado nisso... Vou dar uma checada!Mari: Tá ficando lerda que nem a Liz!Liz: Hey! Ainda tô aqui.Lu: Te amo, lerdinha!Mari: É, também te amo, lerdinha!Liz: Awn! Amo vocês!Lu: Porra, já tô atrasada! Fui!

Fechei o laptop e saí em disparada para o ginásio. Entrei no vestiário e lá estavam as garotas se trocando.

- Aqui – Melanie jogou o uniforme pra mim e eu me troquei. A blusa era preta com listras brancas, a saia rodada preta com as pregas brancas por dentro e o short preto. Amarrei meu cabelo e fomos para a quadra.

Aquilo era diferente do que eu estava acostumada. Talvez porque eu não estivesse acostumada com nada disso de qualquer jeito. Fora que minha elasticidade não era das melhores. Mas até que não estava tão complicado assim. Era divertido.

O treino durou uma hora, depois peguei minha roupa e já estava saindo quando Brooklie me chamou.

- Nós vamos sair e beber daqui a pouco. Nada demorado, mas precisamos relaxar um pouco, sabe... Quer vir?

- Desculpa, Brooklie, talvez numa próxima – eu disse, fazendo cara de cansada. – Eu estou muito cansada.

- Ok – disse ela, sorrindo fraco.

Eu saí apressada pelos corredores, tentando me lembrar onde ficava a sala de filosofia. Mas peraí, eu nem sei quem me mandou aquele bilhete. E se for um assassino? Do jeito que eu sou curiosa, eu nunca mais dormiria direito se não descobrisse. Fora que era só uma teoria que eu tivesse que ir na sala de filosofia. Eu finalmente encontrei a bendita sala, era a única com a porta encostada ao invés de fechada e trancada. Eu olhei para os dois lados desertos do corredor antes de entrar, já me preparando para gritar ou sair correndo. Ou os dois juntos. Empurrei a porta e nada aconteceu, me deixando mais tensa ainda, mas assim que entrei a porta bateu atrás de mim, me fazendo dar um pulo e soltar um gritinho.

Eu olhei para a porta e lá estava Arthur atrás dela, rindo da minha cara.

- Você adora me assustar, não é, Arthur? – eu reclamei emburrada. Mania chata desse garoto.

- É – ele afirmou ainda rindo. – Você fica tão engraçadinha quando leva um susto.

- Ha-ha – eu ironizei e dei língua.

- Suas munhequeiras combinaram com o uniforme – ele disse se aproximando.

- Eu sabia que você era gay mesmo! – eu disse, levando as mãos a boca. Geralmente ou mulheres, ou garotos afeminados, sabiam combinar roupas.

Ele rolou os olhos. “Vai insistir nisso?”

- Talvez – eu disse mordendo o lábio e olhando para os dele, que agora me pareciam extremamente convidativos. Ele se aproximou até juntar nossos corpos e passou os lábios pelos meus, me provocando.

- E sabia que esse uniforme – ele sussurrou em meu ouvido, me fazendo arrepiar - fica muito bem em você?

Ele passou as pontas dos dedos aonde terminava a minha saia. Passou os lábios novamente pelos meus, enquanto brincava com a barra da minha saia. Eu puxei seu lábio inferior de leve com meus dentes e deslizei minhas unhas por suas costas. Ele pediu passagem com a língua e eu abri minha boca, me permitindo sentir o gosto dele. Arthur segurou minhas pernas e colocou-as envolta de sua cintura, me carregando até a superfície de alguma coisa que eu suspeitei ser a mesa do professor. Ele acariciou a lateral do meu corpo, deixando suas mãos em minha cintura, depois descendo-as devagar. Eu distribuía beijos em seu pescoço enquanto arranhava levemente suas costas. Ele voltou a me beijar e começou a levantar minha camisa. Eu me separei dele apenas para tirá-la e quando voltamos a nos beijar sentia quase que uma ferocidade em seus beijos. De repente, eu não conseguia respirar mais direito. Ele percebeu que eu não estava correspondendo mais e me olhou preocupado.

- Você está bem? – ele perguntou, e eu coloquei a mão em sua boca, pedindo silêncio. A pior coisa quando se passa mal é que sempre tem um idiota perguntando se você está bem.

Eu tentava puxar o ar, já me sentindo tonta pela falta de oxigênio. Ele levantou levemente minha cabeça pelo queixo, com uma das mãos, e com a outra segurou uma de minhas mãos, fazendo carinho nela. Aos poucos eu fui me acalmando e voltando a respirar novamente. Ele me deu um selinho e me abraçou.

- Dorme comigo hoje? – ele pediu e eu me afastei para olhá-lo. – Relaxa, estou pedindo para você dormir comigo, só isso.

- Dormir, tipo, dormir? – eu perguntei.

- É – ele disse e então um sorriso malicioso apareceu em seu rosto. – A não ser que você queira fazer alguma outra coisa também.

- Não seria perigoso eu dormir em um quarto com dois homens? – eu perguntei. E diga-se de passagem, dois homens tão gostosos como ele e o Micael.

- Micael vai passar a noite com a Brooklie hoje – ele disse enquanto eu olhava para aqueles olhos tão intensos mesmo no escuro. – E você não confia em mim?

- Confio – eu disse sorrindo timidamente. – Mas hoje não.

- Que pena – ele disse e me deu um selinho.

Eu saí da sala e adentrei o corredor, sentindo um calafrio. Como a noite os aquecedores da escola eram desligados, aquele lugar estava gelado.

- Onde você estava até agora? – perguntou Melanie enquanto eu atravessava o caminho até os dormitórios.

Eu abri a boca para inventar alguma coisa, mas Brooklie perguntou antes “Com quem você estava?”

- Eu tava na biblioteca – eu disse rápido.

- Lu – eu ouvi alguém me chamar, eu olhei para trás e Chay me abraçou pela cintura. – Você deve estar congelando, vem.

- A gente se vê – eu disse sem graça e saí abraçada com Chay, deixando as duas de boca aberta atrás de mim.

- Vai, troca de roupa rápido – disse Chay me deixando na porta do meu prédio. – Vamos comer alguma coisa.

É, parecia ser uma boa ideia. Eu me troquei, e em dez minutos já estava lá embaixo de novo.

- Aonde vamos? – eu perguntei, enquanto caminhávamos portão afora.

- Algum fast-food ou restaurante – ele disse. – O que você prefere?

- Hoje eu quero fast-food – eu disse sorrindo igual a uma criança.

- Então tá – ele disse e beijou minha bochecha.

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