

Capítulo 5 - S.O.S.
Depois
daquilo, Sophia ficou a sexta-feira inteira de cara virada pra mim. Assim que
Lauren saiu da última aula, nós fomos para a casa dela e passamos o sábado todo
procurando um laptop pra mim, e domingo foi um tédio: filme, comida e lição de
casa. Mas tudo era um tédio por um único motivo: Arthur Aguiar não saía da minha
mente. Isso estava me irritando, eu simplesmente não parava de pensar nele. Por
que isso agora?
Nas duas
aulas de matemática, Melanie resolveu sentar ao meu lado, expulsando a garota
que estava ali antes. Eu tentava explicar as coisas pra ela, mas na maioria das
vezes ela acabava por copiar minhas respostas.
- Aonde
você vai? – Melanie me perguntou, quando eu estava indo em direção a mesa
onde Sophia e os outros estavam no refeitório.
- Ahn,
sentar com o Chay, a Ane, o Maker...
- Aff –
ela me cortou. – Você senta com a gente hoje, ok?
Eu
fiquei totalmente sem graça quando passei e acenei para eles, e em seguida
sentei na mesma mesa que ela com a bandeja do almoço. Acho que agora a Sophia
nunca mais olha na minha cara.
Eu olhei
para o meu lado e ali estava Brooklie e uma outra garota loirinha. Olhei à minha
frente e lá estava um garoto moreno forte, ao seu lado, Micael e... Arthur. Meu
estômago deu um solavanco quando meu olhar encontrou com o dele. Acho que eu vou
ver meu café-da-manhã de novo.
- Five
Colours, essa é Claire - ela começou a apresentar -, Diego, Micael
e Arthur.
Eles
sorriram e eu acenei. Arthur me fuzilava com o olhar, apesar de sorrir.
- Já
está tudo arranjado – comentou Brooklie animada. – Conseguimos um professor para
substituir aquela mulher-macho.
- Graças
a Deus – eu disse baixinho.
-
Garotos, vocês tinham que ver essa garota atuando, ela é perfeita – continuou
Brooklie animada.
- O que
vocês andaram aprontando dessa vez? – perguntou Arthur, olhando para
Brooklie.
- A
professora de educação física estava tentando nos matar, aí nós cuidamos para
que ela fosse expulsa.
- A Five
Colours fingiu que a professora tinha agredido ela – contou Melanie.
- É, mas
o melhor foi o improviso – continuou Brooklie. – Vocês têm que ver os roxos que
ela arranjou nos pulsos, foi demais.
Será que
alguém pode calar a boca dessas duas?
- E como
você arranjou esses roxos? – perguntou Arthur. Eu juro que a qualquer momento
iria sair laser dos olhos dele. Medo.
- Ela
disse que tava fazendo um truque de mágica ou qualquer coisa assim –
disse Melanie -, e as mãos dela ficaram presas numa caixa.
- Foi
horrível – eu comentei olhando pra ela. – Nunca mais tento fazer mágica de novo
na vida.
Arthur
relaxou um pouco e parou de tentar me matar com o olhar.
- Mas
sabe, já está até sarando – eu disse olhando para o meu próprio braço. – Não dói
mais, e a pomada que eu tô passando tá tirando o roxo.
Eu sorri
silenciosamente para o meu prato enquanto elas começavam outro assunto e ergui
meus olhos para Arthur, vendo que ele sorria silenciosamente também.
- Eu
nunca vou entender essas garotas – comentou Micael baixinho para Arthur. – Só
porque elas são loucas, tentam nos enlouquecer junto.
Arthur
riu.
- Talvez
não loucas – eu disse olhando para Micael. – Só confusas – olhei para Arthur,
que riu de novo.
Olhei em
direção à mesa onde meus amigos estavam. Se Arthur não estivesse aqui, eu iria
para lá agora mesmo.
Eu
paguei meu fichário e meu livro de geografia e caminhei para a biblioteca, pra
fazer um pequeno trabalho que o professor havia passado. Pequeno porque não era
ele que iria ter que fazer. Alguém me puxou para dentro de uma sala vazia.
- Arthur! –
eu dei um tapa no braço dele. Garoto estúpido, quase morri do coração. Meus
olhos encontraram os seus e então eu percebi que o susto não foi nada comparado
ao que os olhos dele faziam ao meu coraçãozinho.
- Posso
saber o que a senhorita está fazendo junto com a Brooklie e a Mel? – ele
perguntou me encarando.
- Eu
entrei pro grupo de líderes de torcida, e elas fazem parte – eu disse. –
Aliás, Melanie é a chefe das líderes. Nós nos demos bem, eu acho.
- E isso
justifica você ser responsável pela expulsão de uma professora? – ele perguntou,
ligeiramente bravo.
- Acho
que ela prefere ser chamada de professor, viu – eu comentei, tentando escapar da
pergunta. Ele segurou o riso.
- Eu
estudo com elas faz tempo – ele disse sério. – Quero que você tome cuidado com
elas. Elas ferram até uma a outra se deixar, além de ter nos arrastado junto no
terceiro ano.
-
Terceiro ano? – eu perguntei confusa. – Mas vocês estão no terceiro ano
agora.
-
Repetimos – ele disse rolando os olhos. – Aliás, elas repetiram e, como não
conseguiram fazer nada para passar, fizeram que eu e o Micael bombássemos
também.
- Uou –
eu disse baixinho.
- E os
pulsos, melhoraram? – ele desviou o assunto e pegou cuidadosamente meus braços,
tirando a munhequeira deles.
Agora o
roxo estava bem mais claro em alguns pontos, e em outros já começava a
amarelar.
Ele
soltou meu braço e foi se sentar em cima da mesa do professor. Ficamos em
silêncio por alguns minutos, até eu me aproximar dele devagar. Apoiei minhas
mãos nas pernas abertas dele e sustentei seu olhar antes de encostar nossos
lábios. Ele colocou a mão em minha nuca me fazendo arrepiar e pressionou nossos
lábios. Ficamos assim durante alguns segundos, antes dele afastar nossos rostos.
Ele pulou da mesa, e antes de abrir a porta, abriu a boca para falar alguma
coisa, mas a fechou de novo e saiu dali me deixando totalmente confusa. Qual é o
problema desse garoto?
Eu fui
para a biblioteca começar meu trabalho de geografia, mas estava sendo difícil. A
cada dois parágrafos que eu lia, eu tinha que reler um, porque no último eu
estava distraída pensando em Arthur.
Na aula
de inglês, eu sentei na carteira ao lado de Sophia. Ela virou a cara, ainda
brava comigo. Eu passei a aula inteira tentando puxar conversa, até finalmente
conseguir fazer com que ela falasse comigo direito.
Aula de
história. Eu sentei na última carteira no canto da sala, abaixei a cabeça e
fiquei assim até que eu ouvi Arthur falar comigo.
- Ahn,
me desculpa, eu... – ele começou, mas eu o cortei.
- Vê se
não me enche o saco, Arthur – eu disse exasperada pra ele, e abaixei a cabeça de
novo.
Eu não
iria deixar ele me dar um fora assim, ou dizer “somos apenas amigos”, ou seja lá
o que ele fosse dizer, eu não queria escutar.
- Você
tá bem? – ele perguntou.
- Não
preciso de ninguém se preocupando comigo – eu murmurei.
- O
professor vai te chamar a atenção se você continuar assim – ele avisou.
-
Problema é meu.
- Só
estou tentando te ajudar.
- Você
me ajudaria se sumisse da minha vida.
- Não
tem mais carteiras vazias, vai ter que me suportar.
- Não
dá, você é insuportável.
-
Senhorita ), quer fazer o favor de acordar? – o professor me chamou, e eu
levantei a cabeça, sentindo meu rosto queimar ao perceber todos me
olhando.
- Eu
avisei – disse Arthur.
- Blá,
blá, blá... – eu fiz uma voz afetada.
- Você é
tão estúpida.
- Você é
tão idiota.
-
Formamos um belo casal, então – ele disse e eu o olhei sem entender, rindo em
seguida.
- De
onde eu vim, se um cara fugisse de uma garota quando fosse beijado, seria gay,
sabia? – eu comentei irônica.
- Aqui
também seria – ele disse rindo.
- Ai,
meu Deus! Você é gay! – eu gritei e todo mundo me olhou de novo, eu abaixei
minha cabeça morrendo de vergonha.
- Eu
juro que te mato, garota! – ele sussurrou pra mim.
Depois
de alguns minutos eu levantei a cabeça, ainda impressionada.
- Por
que não me contou antes que era gay? – eu perguntei para ele.
- Porque
eu não sou – ele murmurou bravo, me fuzilando novamente com os olhos.
- Não? –
eu perguntei ainda em dúvida. Bem que ele era perfeito demais para ser de
verdade.
- Não –
ele afirmou.
-
Certeza?
Ele
bufou e começou a copiar a matéria, me deixando totalmente no vácuo. Odeio esse
garoto.
O sinal
bateu, enquanto todos saíram da sala nós dois simplesmente tivemos que ficar ali
pra terminar de copiar a matéria.
- É
culpa sua que eu estou perdendo meu tempo aqui – eu disse observando o professor
sair da sala.
- Eu não
segurei suas mãos para você não escrever – ele disse ainda sem me olhar.
- Aguiar, vai
embora.
- Não
posso, tô copiando a matéria.
Eu bufei
e fechei meu caderno.
- Depois
eu arranjo a matéria com alguém – eu disse irritada. – Melhor do que ter que
ficar aqui.
Ele
fechou o caderno e saiu na minha frente, fechando a porta antes que eu pudesse
passar.
- Qual é
o seu problema garota? – ele perguntou me encarando encostado na porta.
- Você –
eu disse sustentando o olhar.
Eu não
sei como aconteceu, mas no segundo seguinte era eu quem estava encostada –
leia-se: pressionada – contra aquela porta. Arthur me beijava intensamente com
as mãos em minha cintura e eu tentava eliminar qualquer espaço possível entre
nós o puxando pela camisa e apertando sua nuca. Era como se uma corrente
elétrica passasse por minhas veias ao invés de sangue. Ele mordeu meu lábio
inferior me fazendo soltar um gemido baixo e puxar seus cabelos. Ele desceu os
beijos pelo meu pescoço, me fazendo ficar ofegante, enquanto tentava me
concentrar em abrir os botões da camisa dele. Ele percebeu minhas intenções e
começou a fazer o mesmo com minha blusa. Foi então que eu comecei a lembrar de
quando fui agarrada, de quando aquele garoto me tocava... Aquilo me fez respirar
acelerado, me deixando tonta. Eu o empurrei e saí daquela classe correndo para
meu dormitório.
Eu não
saí do meu quarto até que o sinal batesse às sete e meia da manhã me mandando ir
para a classe. Eu dei graças a Deus de não ter aula com Arthur durante a
terça-feira, crente que não teria que vê-lo. Eu já estava até sentada almoçando
na mesa conversando animada com Ane, quando Mel me cutucou nas costas.
- Vem
sentar com a gente quando terminar aí, ok? – ela disse e foi para a mesa dela.
Alguém lá em cima deveria estar rindo muito da minha cara, não é possível.
Eu
terminei de almoçar e fui para a mesa onde Mel e os outros ainda estavam
almoçando.
- E aí,
Five Colours – cumprimentou Brooklie. Eu me lembrei do que Arthur tinha dito
sobre ela. E falando nele, lá estava o motivo de eu não ter dormido direito
durante todos estes dias, o motivo das minhas distrações.
- Senta
aí – disse Mel me dando espaço ao seu lado.
Eu
sentei, sentindo meu coração acelerar ao ver aqueles olhos Castanhos bem na
minha frente, me olhando.
- Nós já
acertamos os horários pra usar a quadra – informou Brooklie. – Os treinos
começam hoje, querida, às cinco horas. A propósito, você combinou muito bem com
o uniforme.
Eu ainda
estava com o uniforme que elas me entregaram na aula de educação física. Era um
short preto curto e uma blusa babylook branca com traços pretos que deixava uma
faixa da barriga aparecendo.
Eu olhei
para Arthur, que assentiu disfarçadamente com a cabeça, me fazendo sorrir
envergonhada.
- Mas
esse é o uniforme de educação física, sabe, do horário normal – explicou Mel. –
Nós podemos ficar com ele pela escola em vez do outro uniforme. Usamos um
uniforme parecido nos treinos.
- E é
claro que temos um modelo especial para os jogos – disse Brooklie, com um
sorriso convencido.
- Então
tá, né – eu disse baixinho.
-
Garotas, vocês viram o que aquela garota estranha do segundo ano fez com o
cabelo? – perguntou Brooklie. E com isso começou a sessão fofoca. Realmente,
elas tinham uma língua afiada para falar mal dos outros, mas até que era
engraçado.
Alguém
passou a mão por meus cabelos e bagunçou-os. Eu olhei para trás e Chay piscou
pra mim enquanto caminhava. Eu ri, arrumando meu cabelo.
-
Galerê, tenho que ir – eu disse e saí correndo atrás de Chay e os outros.
Eu pulei
nas costas de Chay, e ele segurou minhas pernas e me levou de cavalinho até a
porta do nosso prédio.
- Maker,
seu preguiçoso – reclamou Ane. – Até daqui a pouco.
Ele
tinha se recusado a levar Ane de cavalinho, disse que ela era muito pesada.
Pesada eu não sei onde, mas tudo bem, acho que se pedíssemos pra ele levar um
gato, ele iria reclamar que era pesado também.
Eu
aproveitei nosso tempo livre para entrar na internet um pouco, já que agora eu
tinha meu laptop.
Lu: SOS, amigas! Tô ficando
louquinha nesse lugar!Mari: Achei que tivesse morrido já! Você não deu
noticias!Liz: Amiiiiiiiiiga, que saudadeee!!! Conta tudo!Lu: É sério, eu tô pirando
aqui! Me ajudeeem!!!Mari: O que aconteceu?Liz: Conheceu muitos
gatinhos?Lu: Um
garoto. Ele tá me atormentando!Liz: Ele é bonito?Mari: Te atormentando?Lu: Bonito? ELE É PERFEITO!Liz: Então qual o problema?
Já deu uns pegas nele?Lu: Eu não sei... Eu chego perto dele e... Parece que vou ter
um ataque do coração, meu estômago embrulha, eu começo a tremer... Ele quase me
mata, galerê, é sério!Mari: ELA TÁÁ APAIXONADA!!!!!Liz: Awn!Lu: Não tô, não! Eu só me
pego pensando nele às vezes... Mas ele é bipolar, é sério!Mari: Às vezes? Certeza,
amiga?Liz: Bipolar?
Boiei.
- Não
consigo entender nada! – reclamou Sophia, me fazendo pular na cadeira. – É
português?
- Sua
curiosa! – eu reclamei fechando o laptop na mesma hora. – É, tava falando com
minhas duas melhores amigas, lá do Brasil.
E de
quem eu morro de saudades. Sophia deu de ombros e se largou na cama.
Nós
voltamos para escola e eu aproveitei os minutos restantes para copiar algumas
coisas do trabalho dela de geografia, já que eu havia sido mentalmente impedida
de conseguir fazê-lo inteiro. Pelo menos agora eu estava conseguindo entender
melhor os professores. Quando estava mexendo na minha mochila pra pegar o
material de química, um bilhete caiu do meu caderno.
“Filosofia, depois do seu treino”- O que é isso? –
perguntou Sophia tentando pegar o bilhete da minha mão.
- Nada –
eu respondi amassando e jogando o bilhete de volta na mochila.
A dupla
de química terminou, e eu voltei correndo para o dormitório para tomar um banho
rápido, mas não resisti a ligar o computador um pouco.
Mari: O que aconteceu, você
saiu sem avisar! Mal educada!Liz: Vai, amiga, fala mais sobre o gatinho!Lu: Calma aí! Eu tenho
treino agora, tenho cinco minutos!Mari: Treino de quê?Liz: Então conta logo!Lu: Líder de torcida. Alguém me deixou um bilhete hoje
escrito “Filosofia, depois do seu treino” Eu não saquei muito bem...Mari: Aula particular com
alguém?Liz: Líder de
torcida??! Que massa!Lu: Não, não tenho aula com ninguém. É, parece ser legal,
Liz!Mari: Vocês aí
não têm aula divida por salas e talz?Lu: Aham.Mari: Então é “sala de filosofia”, não é?Lu: Não tinha pensado
nisso... Vou dar uma checada!Mari: Tá ficando lerda que nem a Liz!Liz: Hey! Ainda tô
aqui.Lu: Te amo,
lerdinha!Mari: É,
também te amo, lerdinha!Liz: Awn! Amo vocês!Lu: Porra, já tô atrasada! Fui!
Fechei o
laptop e saí em disparada para o ginásio. Entrei no vestiário e lá estavam as
garotas se trocando.
- Aqui
– Melanie jogou o uniforme pra mim e eu me troquei. A blusa era preta com
listras brancas, a saia rodada preta com as pregas brancas por dentro e o short
preto. Amarrei meu cabelo e fomos para a quadra.
Aquilo
era diferente do que eu estava acostumada. Talvez porque eu não estivesse
acostumada com nada disso de qualquer jeito. Fora que minha elasticidade não era
das melhores. Mas até que não estava tão complicado assim. Era divertido.
O treino
durou uma hora, depois peguei minha roupa e já estava saindo quando Brooklie me
chamou.
- Nós
vamos sair e beber daqui a pouco. Nada demorado, mas precisamos relaxar um
pouco, sabe... Quer vir?
-
Desculpa, Brooklie, talvez numa próxima – eu disse, fazendo cara de cansada. –
Eu estou muito cansada.
- Ok –
disse ela, sorrindo fraco.
Eu saí
apressada pelos corredores, tentando me lembrar onde ficava a sala de filosofia.
Mas peraí, eu nem sei quem me mandou aquele bilhete. E se for um assassino? Do
jeito que eu sou curiosa, eu nunca mais dormiria direito se não descobrisse.
Fora que era só uma teoria que eu tivesse que ir na sala de filosofia. Eu
finalmente encontrei a bendita sala, era a única com a porta encostada ao invés
de fechada e trancada. Eu olhei para os dois lados desertos do corredor antes de
entrar, já me preparando para gritar ou sair correndo. Ou os dois juntos.
Empurrei a porta e nada aconteceu, me deixando mais tensa ainda, mas assim que
entrei a porta bateu atrás de mim, me fazendo dar um pulo e soltar um
gritinho.
Eu olhei
para a porta e lá estava Arthur atrás dela, rindo da minha cara.
- Você
adora me assustar, não é, Arthur? – eu reclamei emburrada. Mania chata desse
garoto.
- É –
ele afirmou ainda rindo. – Você fica tão engraçadinha quando leva um
susto.
- Ha-ha
– eu ironizei e dei língua.
- Suas
munhequeiras combinaram com o uniforme – ele disse se aproximando.
- Eu
sabia que você era gay mesmo! – eu disse, levando as mãos a boca. Geralmente ou
mulheres, ou garotos afeminados, sabiam combinar roupas.
Ele
rolou os olhos. “Vai insistir nisso?”
- Talvez
– eu disse mordendo o lábio e olhando para os dele, que agora me pareciam
extremamente convidativos. Ele se aproximou até juntar nossos corpos e passou os
lábios pelos meus, me provocando.
- E
sabia que esse uniforme – ele sussurrou em meu ouvido, me fazendo arrepiar -
fica muito bem em você?
Ele
passou as pontas dos dedos aonde terminava a minha saia. Passou os lábios
novamente pelos meus, enquanto brincava com a barra da minha saia. Eu puxei seu
lábio inferior de leve com meus dentes e deslizei minhas unhas por suas costas.
Ele pediu passagem com a língua e eu abri minha boca, me permitindo sentir o
gosto dele. Arthur segurou minhas pernas e colocou-as envolta de sua cintura, me
carregando até a superfície de alguma coisa que eu suspeitei ser a mesa do
professor. Ele acariciou a lateral do meu corpo, deixando suas mãos em minha
cintura, depois descendo-as devagar. Eu distribuía beijos em seu pescoço
enquanto arranhava levemente suas costas. Ele voltou a me beijar e começou a
levantar minha camisa. Eu me separei dele apenas para tirá-la e quando voltamos
a nos beijar sentia quase que uma ferocidade em seus beijos. De repente, eu não
conseguia respirar mais direito. Ele percebeu que eu não estava correspondendo
mais e me olhou preocupado.
- Você
está bem? – ele perguntou, e eu coloquei a mão em sua boca, pedindo silêncio. A
pior coisa quando se passa mal é que sempre tem um idiota perguntando se você
está bem.
Eu
tentava puxar o ar, já me sentindo tonta pela falta de oxigênio. Ele levantou
levemente minha cabeça pelo queixo, com uma das mãos, e com a outra segurou uma
de minhas mãos, fazendo carinho nela. Aos poucos eu fui me acalmando e voltando
a respirar novamente. Ele me deu um selinho e me abraçou.
- Dorme
comigo hoje? – ele pediu e eu me afastei para olhá-lo. – Relaxa, estou pedindo
para você dormir comigo, só isso.
-
Dormir, tipo, dormir? – eu perguntei.
- É –
ele disse e então um sorriso malicioso apareceu em seu rosto. – A não ser que
você queira fazer alguma outra coisa também.
- Não
seria perigoso eu dormir em um quarto com dois homens? – eu perguntei. E diga-se
de passagem, dois homens tão gostosos como ele e o Micael.
- Micael
vai passar a noite com a Brooklie hoje – ele disse enquanto eu olhava para
aqueles olhos tão intensos mesmo no escuro. – E você não confia em mim?
- Confio
– eu disse sorrindo timidamente. – Mas hoje não.
- Que
pena – ele disse e me deu um selinho.
Eu saí
da sala e adentrei o corredor, sentindo um calafrio. Como a noite os aquecedores
da escola eram desligados, aquele lugar estava gelado.
- Onde
você estava até agora? – perguntou Melanie enquanto eu atravessava o caminho até
os dormitórios.
Eu abri
a boca para inventar alguma coisa, mas Brooklie perguntou antes “Com quem você
estava?”
- Eu
tava na biblioteca – eu disse rápido.
- Lu –
eu ouvi alguém me chamar, eu olhei para trás e Chay me abraçou pela cintura. –
Você deve estar congelando, vem.
- A
gente se vê – eu disse sem graça e saí abraçada com Chay, deixando as duas de
boca aberta atrás de mim.
- Vai,
troca de roupa rápido – disse Chay me deixando na porta do meu prédio. – Vamos
comer alguma coisa.
É,
parecia ser uma boa ideia. Eu me troquei, e em dez minutos já estava lá embaixo
de novo.
- Aonde
vamos? – eu perguntei, enquanto caminhávamos portão afora.
- Algum
fast-food ou restaurante – ele disse. – O que você prefere?
- Hoje
eu quero fast-food – eu disse sorrindo igual a uma criança.
- Então
tá – ele disse e beijou minha bochecha.
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