Capítulo 11 - The heart never lies
Ouvi passos ecoando pela quadra, e permaneci em silêncio, na esperança de que quem quer que fosse, fosse embora.
- Eu sei que você tá aqui – eu ouvi a voz do Aguiar, me fazendo quase pular.
- Não, eu não estou – eu murmurei, sentindo meu coração acelerar e meu estômago revirar.
- Você só sabe fugir – ele continuou me importunando.
- Vai embora – eu disse, tentando parecer firme.
- Por que você ficou com aquele garoto? – ele perguntou, e eu percebi que ele estava próximo.
- Porque você é broxa e eu te odeio – eu disse, encarando a escuridão.
Ele sentou perto de onde meus pés estavam.
- É sério, Lu, por que estamos fazendo isso? – seu tom dessa vez estava diferente, parecia frágil.
- Vai embora – eu implorei, sentindo uma lágrima teimosa escorrer por meu rosto.
- Eu não vou a nenhum lugar onde você não esteja – ele disse carinhoso.
- Eu não acredito no seu amor – eu disse, sentindo como se meu coração estivesse sendo rasgado violentamente. – Pra mim tudo é uma mentira.
- Você não devia dizer uma coisa dessas – ele disse magoado.
- Quantas você comeu na última semana, Arthur?
Ele ficou quieto.
- Eu não posso mais confiar em você porque você nunca confiou totalmente em mim.
- Eu confiava e você ficou com aquele cara do mesmo jeito.
- Eu estava bêbeda, que saco! Mas você parecia bem com aquelas garotas.
- Se eu confiasse em você de novo, o que você faria?
- Nunca mais beberia na vida pra começar – eu respondi me sentando. – Mas eu não sei como confiar em você de novo.
- E como eu faço você confiar?
- Me conta por que você tem medo de nos assumir em público.
Ele respirou fundo.
- Eu não quero te preocupar.
Eu me levantei, mas ele me segurou.
- Espera, não vai. - Eu me sentei de novo. – Se eu te contar, você pode ficar com medo, e não querer me ver nunca mais...
Eu me aproximei e pressionei nossos lábios.
- Ou você pode não me contar e eu não vou querer te ver nunca mais também.
Ele respirou fundo mais uma vez.
- Ano passado, mataram meu pai – eu segurei em sua mão, e as entrelacei. – Meu pai estava envolvido com uns caras muito “barra-pesada”, mas o pior foi que ele traiu minha mãe. Traiu ela com a mulher de um desses caras – ele fez uma pausa. – Esses caras agora estão atrás de mim e da minha família. Minha mãe se mudou de cidade e levou minha irmã, mas eu me recusei a sair daqui. Eu tenho medo de que eles peguem alguém de quem eu goste e façam alguma coisa. Eu não tenho certeza de até onde esse caras possam estar me vigiando, só sei que eu não quero arriscar você por nada nesse mundo. – Eu apenas escutei e tentei assimilar em silêncio. Pensei em todas as possibilidades para mim, mas me afastar dele não era uma opção.
- Eu estou com você – eu disse firmemente.
- Lu, se eles souberem de você...
- Eu sei me cuidar, Arthur.
Ele riu de leve.
- Você tem certeza disso? De que quer ficar comigo?
- Absoluta.
Eu me aproximei, encostando nossos lábios.
- Mas você também tem que me contar algumas coisas, sabia?
Eu me senti confusa. “Tipo?”
- Tipo por que você tem esses ataques.
Eu compreendi. Ele estava falando de quando eu começava com a falta de ar e todo resto. Dessa vez fui eu quem respirou fundo.
- Aquela noite – eu comecei. – Não... Não foi a primeira vez que um garoto... Ai, Arthur, eu não quero falar disso! – eu implorei, o abraçando e sentindo calafrios.
- Tudo bem, calma – ele disse carinhoso e passou a mão por meus cabelos. – Mas Lu, você realmente tem certeza de que quer estar comigo, no meio dessa confusão? Esses caras são capazes de tudo.
Eu me afastei um pouco e puxei seu rosto pelo queixo para que ele me olhasse. Meus olhos haviam acostumado o suficiente com a escuridão para que eu o enxergasse seus olhos.
- Eu não vou fugir – eu disse, firme. – E vou estar do seu lado pra tudo.
- Eu amo você – ele disse, e eu senti meus olhos se molharem, meu coração tentando rasgar minha pele.
Ele pegou minha mão e a guiou até seu peito. Eu senti seu coração bater tão rápido quanto o meu. Eu não tinha palavras para dizer o que estava sentindo. Nada me afastaria dele novamente, nunca.
Eu juntei nossos lábios, e ele pediu passagem com a língua. Ninguém que nunca beijou por amor saberia o que eu sentia, como era ter lava em vez de sangue nas veias, sentir cada pedaço do seu corpo implorando pelo dele. Nossas línguas se encontraram, me permitindo sentir o gosto dele, me permitindo senti-lo. Ele me puxou e eu sentei no seu colo, com uma perna de cada lado do seu corpo. Suas mãos passeavam por minhas costas e me puxavam desesperadamente, como se ainda houvesse algum espaço entre nós para ser eliminado. Eu puxava seu cabelo com vontade, e o beijava com mais ainda.
Ele começou a abrir o zíper do meu casaco - exclusivo para as líderes de torcidas, mas que eu preferia usar depois das aulas – mas eu, contra minha própria vontade, segurei sua mão.
Ele interrompeu o beijo e deixou nossas testas coladas, me deixando sentir sua respiração forte em meu rosto. “Eu vou ter que ter paciência com você, né, pequena?”
- Vai – eu respondi, com um suspiro de infelicidade.
Ele me deu um selinho. “Tudo bem, eu aguento.” Ele riu e me deu outro selinho.
Até a hora do almoço, eu tive duas aulas com Maker, e como eu já nem estava rindo à toa, nós quase fossemos expulsos por causa das gracinhas que ele fazia. Tá, minha risada alta também teve alguma culpa.
Eu estava caminhando com ele ao meu lado em direção ao refeitório quando meu celular tocou o alerta de mensagem.
“Hey, quer almoçar comigo? Vou estar te esperando com a moto ligada em dois minutos.”
Eu sorri. Guardei rapidamente o celular, notando que o curioso do Maker tentava ler a mensagem.
- Cadê a minha privacidade? – eu reclamei. – Você tá invadindo o meu espaço.
Eu dei um empurrãozinho nele.
- Eu não fiz nada! – ele se defendeu inutilmente.
Agora estávamos na frente da porta do refeitório, com um fluxo de alunos quase se empurrando.
- Nossa, o que tá acontecendo ali na frente? – eu perguntei fingindo grande curiosidade e apontando para frente.
- Onde? – eu ouvi ele perguntar, quando eu já tinha me enfiado entre os alunos no fluxo contrário.
Sai apressada da escola e encontrei Arthur já sentado na reluzente moto vermelha, segurando um capacete para mim. Eu o coloquei sem dizer nada e montei na moto.
- Esconde o cabelo – ele pediu.
Eu escondi meu cabelo dentro do capacete, prendi minha saia sob as pernas e, assim que o abracei, ele arrancou com a moto. Eu o abracei com mais força, gostando da sensação do vento e de tudo passando rápido, sem sentir medo, pelo simples fato de ele estar ali. Em cinco minutos, ele diminuiu até parar dentro de um estacionamento. Eu tirei o capacete e o entreguei ao sair da moto.
Ele parou do lado da moto e me puxou pela cintura, me dando um beijo inesperado. Ele passou a língua por meus lábios, e eu os abri para poder sentir seu gosto, junto com a sensação de que meu coração queria rasgar minha pele. Ele mordeu meu lábio inferior de um modo delicado, me dando um selinho em seguida.
- É aqui na frente – ele disse saindo do estacionamento e entrelaçando nossas mãos.
Assim que saímos do estacionamento, eu vi o restaurante. Grande e sutil, com pessoas conversando alegres enquanto comiam ou homens de terno discutindo alguma coisa.
- Quer sentar aqui fora ou lá dentro? – ele perguntou.
- Aqui fora – eu respondi sorrindo.
Apesar de estarmos ao ar livre, todas as mesas tinham uma espécie de guarda-sol, nos deixando na sombra. Eu pedi para que Arthur escolhesse, já que minha indecisão sempre era um ponto cruel para mim.
- Não é perigoso nos verem aqui? – eu perguntei olhando em volta.
- Eu espero que não – ele disse parecendo relaxado. – Tenho a impressão de ser seguido durante a noite, não a essa hora. E também eu corro demais para que alguém conseguisse nos seguir – ele sorriu convencido.
- É sério, você não tem medo de bater? – eu desaprovei.
- Nem, já acostumei, querida – ele disse de um modo carinhoso.
- Ah! Lembrei de uma coisa! – eu disse de repente, ansiosa e me sentando totalmente ereta. – Me ajuda em uma coisa, Arthur? – eu o olhei em expectativa.
- O que eu não faço por você – ele disse rolando os olhos.
- Sabe a minha amiga, a Sophia?
- A ? Aquela do seu dormitório?
- Ela mesma – eu disse, sorrindo animada. – Quero juntar ela e o Micael.
- Você tá de brincadeira, né? – ele perguntou, me olhando assustado.
- Ai, Arthur, qual o problema? – eu fiz bico.
- O problema se chama Brooklie – ele disse sério. – E o Micael tá usando o que você disse na mesa até hoje pra tentar afastar ela. Ela não está muito bem com você, não, viu?
- Aff – eu reclamei. – Eu cuido da Brooklie e você cuida do Micael. E não me olhe desse jeito, se vocês têm medo dela, problema de vocês. Eu não tenho. – Ele riu e eu o olhei feio. – Pra mim a única graça são dois marmanjos com medo de uma garota mimada.
- Você é tão inocente – ele disse sorrindo. – Você é linda.
- Como? – eu perguntei cruzando os braços, confusa.
- Você não vê maldade nos outros – ele disse com aqueles olhos castanhos em mim. – Você é doce, apesar de ser um pouco estressada.
O garçom nos serviu e se afastou em seguida.
- Eu não sou inocente desse jeito! – eu murmurei irritada. Depois de tudo o que eu passei, um ser desse vem me dizer que eu sou inocente, há!, eu mereço!
- Apesar de tudo, você é – ele disse, com um sorriso encantador. – Me diga, até onde você acha que ela iria pra conseguir o que quer?
- Ela é só uma garota mimada que acha que é dona do mundo - eu disse rolando os olhos.
- Bombar eu e o Micael ou expulsar um professor usando você não é o máximo que ela sabe fazer – ele disse sério. – Não a subestime. Ela é tão suja quanto os caras que mataram meu pai – eu vi a dor em seus olhos por um instante.
Nós comíamos distraidamente enquanto conversávamos.
- Mesmo assim, já estar na hora de alguém enfrentar aquela garota – eu disse determinada.
- Lu, você não vai mexer com ela. Estou falando sério. Quer arriscar ser mandada de volta para o Brasil? – Eu quase engasguei. – Então não se meta com ela.
- E se ela se cansasse do Micael? Ou achasse outra pessoa? – eu tentei depois de um minuto de silêncio.
- O Micael é a pessoa mais próxima de mim a quem ela pode tentar fazer os ciuminhos inúteis dela – ele disse entediado.
- Então ela tem que se cansar de você – eu disse achando a solução. – Será que isso é possível? – eu pensei em voz alta.
Ele riu.
- Na verdade eu acho que é mais por despeito do que por gostar de mim - ele deu de ombros.
- Eu gosto de você – eu disse, distraída e absorta em seus movimentos.
- Eu também gosto de você, pequena – ele disse sorrindo, me despertando. – Por isso não quero te ver se metendo mais do que você já está nisso tudo.
Eu sorri. Certo, Arthur, mas não custa tentar.
- Mas e a Mel, ela é ruim desse jeito também? – eu perguntei, me lembrando da participação dela.
- Mais ou menos – ele disse, mais tranquilo. – Brooklie faz por maldade, Mel faz por diversão. Digamos que Mel seja o cérebro e Brooklie o coração das coisas que elas fazem. Mas Mel não é igual a Brooklie, eu chego a achar que ela ainda tem uma alma, mas esconde ela. Antes de eu começar a sair com a Brooklie, Mel era minha amiga e do Micael. Ela não precisava de nada disso, estava sempre feliz e de bem com todo mundo.
- Brooklie deve ser descendente de um demônio – eu murmurei.
- Provável – ele disse rindo. – Mas eu não aguento mais falar dela. E então, o que você achou do teatro? – ele disse se divertindo.
- Como você sabe? – eu perguntei desconfiada.
- Mel me contou – ele disse apressadamente.
- Mas eu não contei a Mel. Eu não contei a ninguém ainda além do Chay.
Ele se concentrou na comida, desviando o olhar para um ponto qualquer.
- Arthur – eu sibilei. – Confesse.
- Hum? – ele se fez de desentendido.
- Você mandou aquele garoto para o quarto do Chay só pra nos atrapalhar? – eu disse irritada. – Isso foi ridículo, Aguiar!
- Só estava protegendo o que é meu – ele disse como se fosse inocente.
- E desde quando eu virei sua propriedade?
- Desde que meu coração virou a sua – ele disse. Isso foi ligeiramente gay, mas muito fofo.
- Você não parecia se lembrar disso enquanto pegava outras garotas – eu disse, resistindo a me render.
- Só pra me frustrar, porque nenhuma delas se compara a você.
- Você é... – eu olhei para aqueles ofuscantes olhos castanhos.
- Seu – ele disse sorrindo vitorioso.
Eu parei de tentar protestar.
- Isso, só meu, e ninguém mais toca – eu disse decidida, e encerrando o assunto.
- Onde você foi parar na hora do almoço? – perguntou Sophia, sentando ao meu lado.
- Fui almoçar fora – eu disse, pegando meu material dentro da mochila.
- Arruma seu cabelo, tá uma bagunça – ela alertou. Coloquei meu material sobre a mesa e penteei meu cabelo com os dedos. – Almoçou onde? Eu odiaria comer sozinha, por que não nos chamou?
- Eu não estava sozinha – eu dei de ombros.
Ela me analisou por um instante. “Arthur?”
- Ahn... foi – eu tentei não sorrir, mas foi inevitável.
- Aaah! – ela exclamou empolgada, chamando a atenção da classe inteira. Suas bochechas rosaram. – Vocês voltaram e nem me contou nada! – ela sussurrou indignada, assim quando as pessoas pararam de olhar.
- Você estava dormindo quando eu voltei ontem – eu dei um sorriso triste de lado.
- Hey, querida, vamos para outra festa esse fim de semana, tá a fim? – Brooklie me convidou enquanto trocava de blusa. O vestiário estava cheio.
- Ah, não sei – eu disse com um sorriso triste de lado, enquanto prendia o cabelo. – Os pais da Lauren não iriam gostar muito, eu dormi na sua casa há duas semanas, entende?
Ir a outra festa não parecia uma opção muito legal quando eu ainda estava tentando esquecer as burradas da última.
- Você pode falar para eles que vai dormir aqui na escola – sugeriu Mel.
- Não, de boa – eu disse. Peguei meus pompons e sai do vestiário
Peguei meu celular no armário do vestiário e havia uma mensagem nele.
“Literatura.”
Eu sorri e fechei o armário. Minhas aulas já haviam acabado por hoje, e ele parecia saber disso. Não me dei ao trabalho de trocar de roupa, só saí antes que Mel ou Brooklie me notassem. Subi as escadas com o som do sinal ecoando pelas paredes. Por que ele sempre escolhia as salas do terceiro andar? Acho que porque o corredor nunca estava cheio. Eu entrei na única sala sem luz e com a porta encostada, encontrando Arthur distraído olhando para a janela. Fechei a porta atrás de mim e ele me percebeu pelo barulho.
Caminhei até ele silenciosamente, e ele me deu um selinho e me abraçou.
- As meninas estavam planejando outra festa para esse fim de semana – ele disse calmo. – Elas te chamaram?
- Chamaram – eu disse sentindo aquele perfume me intoxicando. – Mas eu não vou.
- Tem alguma outra coisa mais importante pra fazer?
- Não – eu respondi sentindo as mãos passando por meus cabelos.
- Eu estava pensando em viajar para algum lugar... Passear de barco, mergulhar – eu seria capaz de dormir ali, em pé mesmo, com aquela voz deliciosamente calma e aquele carinho. – Faz tempo que não vejo o mar.
- Verdade – eu disse me lembrando de que não ia a uma praia há realmente muito tempo.
- Quer vir comigo? – ele perguntou, e eu me afastei para olhá-lo.
- Seria maravilhoso – eu respondi com um sorriso tímido. – Mas não sei...
- Por favor, Lu – ele pediu com aqueles olhos castanhos me namorando. – Vem comigo?
Os pais de Lauren seriam o menos importante, pois eu poderia dizer que iria ficar na escola para estudar no fim de semana. A imagem de nós dois em um barco, olhando o horizonte, ou dentro da água, me pareceu irresistivelmente romântica.
- Só nós dois? – ele assentiu com a cabeça. – Ok.
Ele sorriu largamente e, segurando meu rosto com as duas mãos, me beijou.
- Que bom – ele disse, parando de me beijar e encostando nossas testas. – Eu iria ficar chateado se você não quisesse ir.
Eu sorri. “Arthur, você tem que ir pra aula”, eu alertei. “Você mata aula demais, não quero te ver repetindo de novo.”
Ele riu. “Mas aqui tá melhor.” Ele passou as mãos por minha cintura me puxando para mais perto, e voltando a me beijar quase agressivamente. Eu respondi ao beijo com a mesma intensidade, deixando minhas mãos passearem por suas costas e nuca.
- Lu, arco-íris da minha vida! – um Chay saltitante pulou na minha frente, me pegou pela cintura me rodando no ar. Eu soltei um gritinho de susto.
- Que foi, Chay? – eu perguntei quando ele me colocou no chão.
- Eu me inscrevi para um teste com uma nova banda! – ele sorriu como uma criança feliz.
- Aêe! – eu comemorei batendo palminhas.
- Eu tô super nervoso. Vai comigo? – ele pediu esperançoso.
- Claro, querido! Quando?
- Amanhã. - O sorriso em meu rosto se desfez, seguido pelo dele. – O que foi?
- Ai, bebê, eu não posso – eu disse, com o coração apertado.
- Ah, ahn, ok – ele gaguejou, tristonho.
- Mas a Sophia deve poder – eu sugeri. – Ou a Ane, ou o Maker.
- Talvez a Ane – ele disse com um sorriso de lado.
- Agora eu tenho que ir arrumar minhas coisas – eu disse, me despedindo. – Mas prometo que te ligo, ok?
Ele concordou, e eu fui para o meu dormitório. Arrumei minha mochila, dessa vez com roupas e mais coisas do que eu precisaria colocar se fosse um fim de semana normal. Guardei a mochila dentro do meu armário da escola e esperei até que Lauren terminasse a aula para avisá-la que “ficaria na escola” Acompanhei-a até o estacionamento para falar com Rachel.
- Que pena, tinha feito lasanha – ela disse pela janela aberta do carro. - Se você tivesse me ligado, eu teria trazido para você um pedaço.
- Tudo bem, Rachel – eu disse, com um sorriso grato. – Qualquer coisa eu ligo pra algum restaurante e peço alguma coisa. De qualquer jeito, a cantina funciona no fim de semana. E quando minha mãe ligar, pode avisar que eu vou mandar um e-mail pra ela, por favor?
- Claro – ela concordou com um sorriso materno que me fez sentir culpada por estar mentindo para ela. – Juízo, querida.
- Sempre – eu disse, tentando ignorar minha consciência. – Tchau – eu me despedi dela e Lauren.
Rachel ligou o carro e partiu. Meu celular apitou no bolso detrás da calça, e eu li a mensagem nele contida:
“Cinco minutos para você pegar suas coisas. Coloque um casaco, não quero que pegue essa friagem da moto.”
Eu corri para meu armário, pegando minha mochila, e depois corri para o meu quarto, para pegar um casaco, já que o agasalho que eu vestia era fininho. Sete minutos, e eu estava no estacionamento, procurando silenciosamente por ele.
Arthur estava montado na moto vermelha, e estendeu um capacete para mim assim que eu me aproximei. Montei na moto e antes que ele partisse olhei para o lado e vi Chay me encarando de longe. Me agarrei mais forte a Arthur assim que a moto entrou em movimento, sentindo um frio percorrer minha espinha.
Continua..

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