Capítulo 10 - A little less sixteen candles a little more touch me
Aquele fim de semana foi chuvoso e tedioso, como previsto. Pelo menos os céus compartilhavam de minha dor. Tá, isso me lembrou aqueles poemas góticos e depressivos.
Na segunda-feira, Chay disse que não aguentava mais me ver assim e Maker ameaçou que, se eu não melhorasse, ele iria me socar. E eles tinham razão, sabe, pelo que Mel me disse,Arthur parecia ter aproveitado bem o fim de semana. A vantagem de se falar da vida alheia de metade da escola com elas era que eu podia saber do Arthur sem que elas percebessem grande interesse. Não que eu estivesse interessada no que ele fazia ou deixava de fazer. Eu ia fazer o que meus amigos, que realmente se importavam comigo, queriam.
- Hoje é oficialmente um dia feliz – eu disse a Sophia, enquanto colocava as meias pretas até o joelho.
Era terça-feira e não havia sinais de chuva, apesar de que ainda eram sete e alguma coisa da manhã e não dava para enxergar o céu muito bem. Ainda estava frio, mas pelo menos não molharia mais meus sapatos hoje.
- Foi beber ontem e não me chamou? – ela perguntou, fingindo estar séria e colocando as mãos na cintura.
- Nem – eu respondi sorrindo.
- Então algum motivo especial para ser um dia feliz? – ela perguntou esperançosa.
- Sim. Porque eu quero que seja, então vai ser.
E só pra ajudar, eu não tenho nenhuma aula com o Aguiar.
Minha manhã foi tranquila e o almoço, alegre. Tudo como planejado. Os horários depois do almoço também foram assim. Consegui até terminar todos os exercícios a tempo. Tá, Sophia me ajudou um pouco, mas isso não vem ao caso.
- E aí meu Arco-Íris, ocupada hoje à tarde? – perguntou Chay bagunçando meu cabelo.
- Seu chato! – eu reclamei, arrumando meu cabelo. – Tenho treino, mas se você quiser, depois tô livre.
- Certo, passa lá no nosso quarto – ele disse e saiu dali acenando.
Eu, Sophia e Ane entramos no prédio feminino.
- Ane, você fica meio sumida depois do horário – eu comentei subindo as escadas.
- Ah, é que eu prefiro ficar no meu quarto – ela disse, dando de ombros.
- Uma garota caseira? Uau! – eu zuei ela.
Ela assentiu com a cabeça fazendo cara de santa.
- Caseira? Ha-ha! – disse Sophia, parando na escada. – O Maker vive lá com ela, por isso que ela não sai.
Eu a olhei de olhos arregalados.
- Ane, achei que você era tão inocente – eu disse sinceramente chocada.
- Mas ele é só meu amigo – ela disse, corando fortemente e olhando para o chão.
- A amizade de vocês é tão colorida quanto o cabelo da Lu – disse Sophia ironicamente. – Vai me dizer que vocês nunca ficaram.
- Meu cabelo virou festa hoje? – eu perguntei, fazendo uma voz irritada.
- Às vezes – respondeu Ane. Eu a olhei sem entender. – O Maker – ela explicou. – Dormir no mesmo quarto que a Sophia tá te deixando lerda que nem ela.
- Hey! – ela reclamou fazendo bico.
- Vamos logo, ainda tenho que tomar banho – eu disse, empurrando Sophia escada acima e Ane vindo atrás.
- Como foi o treino? – perguntou Chay, abrindo a porta do quarto.
- Aprendi um dos saltos – eu disse com um sorriso de criança.
- O Maker sumiu de novo – ele disse e eu ri, imaginando onde ele devia estar.
Chay continuou falando, mas uma garota saindo de um dos quartos me chamou a atenção. Era o quarto de Arthur, e aquele na porta olhando pra bunda dela era Arthur. A garota sorridente e com cara de piranha não era a mesma que eu havia visto há uma semana, mas o ódio que senti foi o mesmo. Sem pensar muito, enlacei meus braços em volta do pescoço deChay, que não entendeu muito bem o que eu estava fazendo, até encostar nossos lábios. Ele demorou um segundo, então aprofundou o beijo, passando as mãos em volta da minha cintura. Esperei até que o beijo esquentasse um pouco e o empurrei para dentro do quarto. Ele fechou a porta com violência, ainda sem parar de me beijar. Eu sorri pensando na cara de idiota com a qual Arthur deveria estar agora. Parei de beijar Chay, que me olhou sem entender.
- O que foi? – ele perguntou. Pelo jeito ele não tinha se dado conta de que eu só queria provocar o Aguiar. – Alguma coisa errada?
Chay era fofo, nós éramos descompromissados e Arthur estava comendo metade da escola enquanto eu ficava chorando no meu quarto. Eu o empurrei fazendo-o cair na cama, e deitei junto com ele, voltando a beijá-lo.
Eu nunca havia pensado no Chay desse jeito, mas isso mudava enquanto ele passeava as mãos por minhas costas e parecia tentando a descê-las até minha bunda.
Como Mari e Liz haviam me dito outro dia pela internet, “Nada melhor do que um amor para esquecer o outro”.
Eu passeei com minhas mãos por seu corpo, mas não conseguia ter coragem para fazer passar daquilo. E ele parecia respeitar isso, apesar de estar claro o quanto ele me queria.
Alguém bateu na porta, mas nós ignoramos. Eu mordi o lábio inferior dele o fazendo soltar um gemido e voltei a beijá-lo.
Os batidas na porta dessa vez foram mais fortes. Chay fez menção de se levantar para atender, mas eu arranhei suas costas, como se fossem um castigo, e ele rolou na cama ficando por cima de mim, me beijando com mais firmeza que antes. Eu puxei a camisa dele pra cima em um pedido para que a tirasse, e ele parou de me beijar e a tirou, deixando-a cair ao lado da cama.
Novamente as batidas na porta. Antes que eu pudesse impedir, Chay se levantou e foi até abrir a porta. Um garoto magrela e de faces encovadas olhou assustado para o estado de Chay sem camisa, com os cabelos bagunçados e ofegante.
- Ahn, eu queria falar com a garota – ele disse envergonhado.
- Tem que ser agora? – Chay perguntou com a voz em tom de decepção.
- Ahn – eu vi o garoto dando uma olhadela para o lado. – Tem.
Eu me levantei e fui até a porta arrumando meu cabelo com as mãos.
- Pode me acompanhar? – ele me perguntou indicando o corredor.
- Não sozinha – eu disse com medo. – Chay, vai comigo? – eu pedi fazendo carinha de criança. - Pelo menos até sair do prédio.
Ele entrou no quarto e voltou vestindo a camisa. Caminhamos em silêncio, mas eu podia sentir a irritação de Chay, mas tentei não deixar transparecer meu alívio com achegada do garoto. Dei um selinho e sai do prédio masculino rápido, com o garoto ao meu lado.
- Queria te convidar para entrar no grupo de teatro – ele disse olhando para o nada.
- Por quê? – eu perguntei sem entender.
- Me indicaram você – ele parecia um pouco nervoso, provavelmente encabulado.
- Parece divertido – eu disse sorrindo. – Quando?
Ele pareceu surpreso com a minha resposta, mas logo suas feições estavam neutras.
- Os ensaios são segunda e quarta, no auditório da escola, às cinco da tarde.
- Nem sabia que tínhamos um auditório.
- É no primeiro andar – ele explicou.
- Certo, te vejo lá – eu disse acenando e fui para o prédio feminino.
Tudo bem que eu não sabia de onde o garoto tinha surgido, mas pelo menos eu tive uma desculpa pra sair do quarto do Chay. Eu estava delirando, achando que podia ser alguém como oArthur, ou o Maker, sei lá. Tudo bem, sempre fui meio alienada mesmo.
Minha primeira aula tinha que ser de física, só pra me encorajar mais ainda a ir pra sala. Eu fui até a carteira vazia ao lado de Chay olhando para o chão, na esperança de achar algum buraco para enfiar minha cara no caminho. Queria ter a opção de sentar o mais longe dele possível, mas ele iria ficar chateado. Queria que o Harry Potter fosse real, só pra que eu pudesse roubar a capa da invisibilidade dele.
- Bom dia, Arco-Íris – ele deu um beijo estalado na minha bochecha assim que eu me sentei.
- Bom dia, bebê – eu disse carinhosamente. – Mas são cinco cores, não sete.
- Eu estou contando com o rosado do seu rosto também.
- Mas ainda ficou faltando uma cor – eu murmurei, percebendo que eu deveria estar mesmo rosada.
- E então, o que aquele cara queria ontem? – ele mudou de assunto.
- Me convidar para entrar no grupo de teatro – eu contei sorrindo.
Ele me analisou por um instante: “É, até que é a sua cara.”
- O que você quer dizer com isso? – eu perguntei confusa.
Chay olhou para a porta onde entrava um garoto com uma jaqueta preta com as mangas e costuras brancas, com dois grandes “W” em cada lado do zíper, na altura do peito.
- Ótimo, o time de futebol vai começar – ele disse rolando os olhos.
- Futebol? Tipo, futebol mesmo? – eu perguntei empolgada.
- Você é uma líder de torcida e não sabe nem que jogos vai animar?
- Ah, nem prestei atenção nisso – eu disse, fazendo um gesto banal com a mão. – Mas eles jogam futebol que nem no Brasil?
Ele assentiu com a cabeça, e eu sabia que meus olhos brilhavam. Finalmente alguma coisa que me lembre do Brasil.
Durante as aulas de inglês eu contei à Sophia o que estava acontecendo, e ela me disse que eu devia levar o que fosse com Chay adiante se eu gostasse dele.
- Aí está o problema, Sophia – eu disse enquanto íamos para o refeitório. – Isso foi inesperado pra mim, não sei se eu gosto dele desse jeito.
- Bom, vocês podem tentar pelo menos – ela disse sorrindo. – Ou talvez ele deixe passar e pronto.
Durante o almoço até que foi bem normal. Quer dizer, nós andávamos abraçados como sempre, fizemos nada de novo.
A sétima aula chegou e senti o olhar de Arthur sobre mim, com uma raiva inexplicável naqueles olhos castanhos que me prenderam por um segundo, até eu me tocar e sentar longe dele. Olhei para trás e percebi que ele estava com o mesmo casaco que o garoto que eu havia visto nas aulas de física, e igual a outros que vi na hora do intervalo. A voz do professor me assustou quando ele começou a explicar a matéria, e eu me virei para frente, percebendo o quão rápido meu coração batia. Tomara que ele quebre a perna enquanto joga futebol.
Na terceira aula de física daquele dia, eu me senti mal ao sentar do lado de Chay, como se eu fosse culpada por alguma coisa. Mas apesar disso, Chay ainda era divertido e fofo. Como eu não percebi antes o quanto ele era bonito?
Fiquei conversando com Sophia e Ane no quarto até darem cinco horas, e eu fui para o auditório da escola. Até que não foi tão difícil assim achar.
Lá estava o garoto magricela e algumas pessoas que eu lembrava já ter visto pela escola. Todos pareceram surpresos em me ver ali.
- Posso ajudar? – perguntou uma garota de cabelos castanhos com luzes vermelhas.
- Ele me chamou – eu disse apontando para o garoto-caniço.
Ela o olhou, parecendo brava.
- Cheryl, eu... ah... – ele não conseguia se desenrolar.
- Se tem algum problema comigo é só falar – eu disse, com as sobrancelhas erguidas e as mãos na cintura.
- Claro que não – um garoto alto com cabelos muito pretos se manifestou. – Nós só não estávamos a esperando.
Cheryl respirou fundo: “Você quer entrar para o grupo, então?”
- É por isso que estou aqui – eu respondi.
- Que seja, então – ela disse, com um tom um pouco azedo. – Vamos apresentar uma peça no Natal, e estávamos discutindo sobre qual história usar.
- Talvez um musical? – perguntou uma garota com cabelo loiro-escuro.
- Alguém aqui sabe catar? – Cheryl perguntou e somente a garota loira levantou a mão. – Ok, então, além da Mattie, alguém? - ninguém se manifestou, muito menos eu que tinha voz de taquara-rachada. - Alguém aqui sabe dançar pelo menos? – só uma garota alta levantou a mão. – Então não rola. Mais idéias?
- Comédia – sugeriu um garoto baixinho.
Deveria haver umas trinta pessoas ali, e todos estavam sentados em roda em cima do palco. Eu aproveitei que a distração para subir e me sentar ao lado do garoto que havia me defendido.
- É uma opção – Cheryl disse. – Mais alguma sugestão?
- Conto de fadas – eu sugeri.
- Que tipo de conto de fadas? – ela perguntou me olhando torto. Ela invocou comigo e eu ainda não saquei por que.
- Branca de Neve! – disse a garota alta disse empolgada.
- Não temos sete anões disponíveis – cortou Cheryl.
- Não esse tipo, talvez alguma coisa mais inusitada – eu continuei. – Alguma história que a maioria não conheça ainda.
- Eu conheço uma – disse uma garota de cabelos loiro-brancos do outro lado da roda. – Fala sobre a princesa do inverno...
Ela nos contou a história sobre uma princesa que controlava o inverno, toda a sua neve, gelo e ventos. Durante todas as outras épocas do ano ela ficava isolada e solitária em seu castelo de gelo, esperando para reinar de novo quando sua época voltasse. Em um desses invernos, um lindo príncipe se apaixonou por ela e eles viveram um lindo romance. Ele ficou desesperado quando o inverno acabou e ela mais uma vez foi trancada no castelo. Ele esperou durante todo as outras estações, até que ela voltasse. Ele tentou de tudo para não deixá-la ir quando o inverno acabou novamente, mas ela não podia fazer nada, eram leis vindas do universo. Ele correu o mundo inteiro, até encontrar uma forma de quebrar o feitiço. Mas para que ela saísse, ele teria que colocar outra princesa em seu lugar. Foi o que ele fez, superou todos seus medos, invadiu um castelo e sequestrou outra princesa. Quando o primeiro dia de inverno chegou, ele quebrou o feitiço sobre sua amada, colocando a outra em seu lugar, apesar de se sentir sujo ao fazer isso. Os dois viveram felizes para sempre, mas a princesa colocada no lugar de sua amada, ficou lá, a espera de seu destino entre seus invernos.
- E como vamos arranjar gelo e neve? – perguntou Cheryl. Essa menina tá me deixando nervosa já.
- Algodão, espuma, essas paradas – disse o garoto ao meu lado.
- E vidro – sugeriu alguém.
- Ótimo – Cheryl sorriu, aprovando finalmente a idéia. – Vamos começar os testes na semana que vem. Será que você consegue essa história por escrito?
- Consigo – a garota de cabelos loiro-brancos respondeu.
Uma mulher de cabelos castanhos com aparência de uns trinta e poucos anos chegou.
- Acho que já decidimos – disse Cheryl feliz à mulher.
A mulher era nossa professora de teatro, e pareceu gostar de mim. O tempo ali passou rápido, e todas as coisas ruins deram um tempo da minha cabeça, até nosso horário acabar e quando saímos o time de futebol saía ao mesmo tempo. Lá estava Arthur e Micael entre eles, todos suados e conversando alto. Eles nem pareceram notar minha presença ali. Melhor assim, só de olhar para ele eu sentia repulsa.
Cheguei ao meu quarto e Chay estava ali conversando com Sophia. Ela deu uma desculpa qualquer e saiu dali, nos deixando sozinhos.
- Ahn, você se importa se eu te deixar aqui um pouco? Preciso tomar banho.
- Tá, eu espero – Chay respondeu com um sorriso.
Tomei banho e, ao mesmo tempo que queria enrolar, não queria deixá-lo sozinho lá.
- Tá cheirosa – Chay disse com um sorriso infantil me observando pentear o cabelo na frente do espelho do quarto.
Eu larguei o pente na escrivaninha e me encostei no peitoril da janela com o vidro fechado, observando o céu. Chay desligou a TV e chegou atrás de mim, colocando as mãos em minha cintura. Ele afastou meus cabelos molhados do pescoço e começou a dar beijinhos nele. Eu senti meu corpo arrepiar, mas algum tipo de tristeza me incomodava enquanto eu observava o céu ao crepúsculo.
- Chay – eu disse baixinho. Me virei para falar alguma coisa, mas ele me beijou delicadamente antes que eu pudesse.
Após um instante permiti o beijo, levando minhas mãos a sua nuca e cabelo. Ele envolveu minha cintura, nos aproximando. Ele me abaixou lentamente até a cama, deitando junto, mas mantendo o beijo calmo. Ele se deitou ao meu lado, partindo o beijo, e me observando. Ele pegou minha mãos e as entrelaçou. Eu dei um selinho nele, e ele sorriu.
Uma música repentina encheu o quarto, e eu me levantei procurando meu celular. Olhei no visor que indicava o nome de Arthur. Mas por que ele estaria me ligando? Minha vontade de atender era quase palpável de tão forte, mas eu olhei para Chay, tranquilo deitado em minha cama, e coloquei a chamado no silencioso. O celular apagou a luzinha em pouco tempo, e depois voltou a tocar.
- Peraí – eu disse entrando no banheiro e fechando a porta.
Respirei fundo e atendi.
- Lu? – a voz de Arthur disse com um tom de nervosismo, mas não agressivo. A sensação de ele falando meu nome me causou um choque estranho.
- Oi – eu disse baixinho, sentindo tristeza. Parecia que ele estava longe de mim, como se eu nunca mais fosse vê-lo. Todo o ódio que eu sentia por ele não era mais forte que esse horrível sentimento.
- Será que dá pra você parar de fazer isso na minha frente? – seu tom se tornou agressivo.
- Pirou? Não sei do que você tá falando – eu disse de repente nervosa.
- Olha, não me interessa o que você faz ou deixa de fazer, mas que não seja na minha frente.
- Ainda não entendi.
- Não se faça de sonsa. Você precisa ficar se expondo na janela com aquele otário?
- Você está me espionando, Aguiar? – eu perguntei brava.
- Sua janela é de frente à minha, vai me dizer que você nunca notou?
Eu saí do banheiro quase arrancando a porta e assustando Chay. Olhei pela janela e lá estava Arthur, em uma das janelas do prédio da frente praticamente de frente a minha. Isso não é possível, como eu não notei isso antes? Apesar de estar a uma boa distância, eu conseguia discernir o nervoso em seu rosto.
- Não, nunca notei – eu respondi quase gritando. – E eu não estou te forçando a me olhar. Para de tomar conta da minha vida, foi você quem quis sair dela. Eu te odeio, e espero que da próxima vez que eu te encontrar você esteja morto. Agora me deixa em paz! - Eu desliguei o celular com violência.
- Lu, calma – Chay me olhava assustado, se levantando da cama.
- Preciso ficar sozinha – eu disse atravessando o quarto e saindo, sentindo cada nervo do meu corpo pulsar com ódio pelo Aguiar.
Eu sai dali e fui para a escola praticamente vazia aquela hora. O único lugar aberto era a quadra, então me entrei ali e deitei na arquibancada, aproveitando o silêncio e a escuridão para chorar e pensar melhor.
Continua..

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